IESA RODRIGUES
Amir Slama, uma visão de praia com histórias
Publicado em 01/11/2026 às 10:21
Alterado em 01/11/2026 às 10:24
A linha derivada da nudez e dos tons de pele ganhou indicação de restrição de idade Fotos: Fotosite/divulgação
Se existe uma marca de moda praia paulista que pode concorrer com as cariocas, é a que sai das ideias do Amir Slama, criador que consegue misturar sensualidade e bom gosto em maiôs e biquínis.
Na edição recente da São Paulo Fashion Week, ele ousou tanto que no site do evento há a indicação de restrição de idade, só poderia ser visto no YouTube. Porque à primeira vista é um susto, graças ao maiô que reproduz o corpo nú da modelo.
Passado este impacto, há referências a Iemanjá, o luxo das franjas de canutilhos, um toque de Carmen Miranda nos vestidos, lembrando um desfile em Nova York, em 2000. Para os homens, há um certo exagero no micro tamanho das sungas - neste caso, a Blue Man ainda acerta mais.

Longo inspirado em Iemanjá Foto: Fotosite/divulgação

As mini sungas em estampa ou cores lisas Foto: Fotosite/divulgação
Acompanhando o trabalho do Amir Slama desde 1993, tenho alguns momentos que divertiram, surpreenderam e ajudam a formar uma imagem além da moda. O que é importante para qualquer marca, que ela tenha uma personalidade, uma atitude entre o marketing e o varejo final. Tanto que há peças da Rosa Chá disputadas nos brechós de luxo.

Amir Slama Foto: Fotosite/divulgação
Vamos a alguns destes momentos:
Um dos mais divertidos foi a espera do desfile em que Raica Oliveira seria uma das modelos. Na época, o jogador Ronaldinho era um de seus pretendentes. E provocou o atraso do show, porque quando chegasse seria soterrado por uma multidão de fotógrafos e fãs. A solução foi apagar as luzes da sala e permitir que Ronaldinho entrasse, cercado de seguranças. Claro que a coleção disputava as atenções com o jogador na fila A.
Outro sinal de prestígio foi o convite feito a várias marcas de moda praia para participar de um evento em Mônaco, patrocinado pela Lycra, na época, da DuPont. Atualmente a Lycra tem empresa própria. Foi um belo dia de encontro de moda praia e fitness, com as presenças de Amir Slama e Daniel Azulay, da Blue Man.
Um terceiro feito, daqueles que parecem improvisados, mas dão muito certo, foi o desfile com tecidos do guarda-roupa da Narcisa Tamborindeguy, na varanda do Copacabana Palace. Roupas bonitas, plateia entusiasmada, uma mistura que uniu o conceito de Rio e São Paulo.
Quanto à Rosa Chá, fundada em 1993, passou a ser administrada pela Marisol em 2006, e foi comprada pela Restoque, grupo que inclui a Le Lis Blanc. Amir continua presente na moda brasileira, com sua ousadia e bom gosto.