IESA RODRIGUES
Meados do século, a volta para o futuro
Publicado em 25/10/2026 às 10:44
Alterado em 25/10/2026 às 10:54
O famoso tailleur Bar, conhecido como New Look, de Christian Dior Foto: reprodução
O que um ser humano deve vestir agora para parecer moderno? A pesquisa pode ser feita nos álbuns de família. Porque a grande referência é o mid century, a metade do século 20. Ou seja, na década de 1950, o pós-guerra europeu.
As referências de estilo
Basta dar uma olhada nas coleções do hemisfério norte para definir algumas ideias de estilo. E lembrar os dresscodes brasileiros.

O tailleur com cintura marcada e basque, recém-desfilado pela marca Matières Fécales Foto: divulgação
Christian Dior: foi o autor da grande mudança, depois dos racionamentos da Segunda Guerra
Vestidos de cintura fina, saias rodadas, pouco abaixo dos joelhos.

Tem melhor? Marilyn Monroe, Audrey Hepburn e Brigitte Bardot de calças cápri Foto: divulgação
Calças capri: roupa de férias, de fim de semana. E olhe lá, porque até o final.dos anos 1960 mulheres não podiam usar calças compridas nos escritórios (e redações, incluindo o JB)

Dá para imaginar, uma loja que só vendia luvas? Era a Luvaria Gomes, na rua do Ouvidor Foto: divulgação

Look da À la Garçonne, desfilado na SPFW nesta semana. Com luvas Foto: Fotosite/divulgação
Luvas: da Sloper ou da Luvaria Gomes. Até para ir ao Centro, de bonde!
Ban-lon: quase nos anos 1960 começou este conjunto de blusa e casaco macios e coloridos. Na mesma faixa de sintéticos, os tecidos que não amassavam: Tergal e Nycron, perfeitos para as saias pregueadas que faziam conjuntos com o Ban-lon

Blusa e casaco de Ban-lon, com a pose certa, recatada, da época Foto: divulgação
Bangu: mas o tecido perfeito era o algodão da Fábrica Bangu. Quase no fim da linha dos trens da Central, a empresa da família Silveira organizava os desfiles da Elegante Bangu, com modelos assinados por estilistas famosos. A referência aparece nos vestidos estampados atuais, com flores.

Os desfiles e concursos da Bangu percorriam o Brasil todos, mostrando as estampas e tecidos Foto: reprodução
Ducal: a maior rede de roupa masculina. O sucesso era o Tergal e a novidade, o terno mostarda (frequente como.cor nas coleções atuais)
Ternos: o linho branco era visto no verão. E na Confeitaria Colombo os homens só entravam de terno (música de Carnaval da época: Sassaricando). Chapéus estilo Borsalino eram complementos bonitos. As calças tinham vincos.

Martha Rocha, linda, usando no primeiro concurso Miss Brasil, um maiô de Helanca, da Catalina em 1954 Foto: divulgação
Na praia: Copacabana tinha só uma pista. As beldades vestiam maiôs de tricô. Os concursos de Miss Brasil começaram a lançar os maiôs de Helanca da marca Catalina
Cabelos; os homens, com Gumex domando os tapetes. As mulheres passavam horas nos salões fazendo permanente com Toni, produto que empesteava os ambientes com mau cheiro.

Estilo de penteado depois da aplicação da permanente Ilustração: reprodução
Crianças: importante era a roupa de festa. Da loja Boneca ou da Notre Dame
Ou da máquina Singer da avó, vestidos que eram torturas espetantes de organdi, coerentemente completados por sapatos de verniz
Estilo de vida
Está é uma parte que não influencia o módulo vivendi atual
Mas é divertida, quando avós resolvem relembrar e comentar

O índio dos intervalos da TV Tupi Imagem: reprodução
Por exemplo, a televisão. Era a TV Tupi, privilégio de poucos estados, que passava mais tempo fora do ar, com a figura de um índio. O rádio era mais popular, com as novelas e o imperdível Repórter Esso na Rádio Nacional.

A clássica frasqueira brasileira Foto: reprodução
Para viajar, além de looks que incluíam até chapéu, as passageiras carregavam frasqueiras para levar seus produtos de beleza e joias. No ar, voavam os DC-3 de 21 lugares e começava a série do Convair. Viagens internacionais eram de Constellation, de quatro motores.
Na rota Rio-São Paulo havia a opção do trem Vera Cruz, passando a noite entre a Central e a Estação da Luz.
Mas vestir, viajar ou ir à praia era pouco. Era preciso saber se comportar socialmente. Neste caso, a solução era a Socila, escola de boas maneiras e elegância comandada por Maria Augusta, que preparava debutantes e candidatas aos concursos de Miss.
Se faltam histórias nesse estilo de vida, tentem conversar mais com os avós, para que surjam mais lembranças.
Quanto à moda, que siga a inspiração do mid century, já que a época atual hesita entre o futurismo dos sintéticos, as experiências sustentáveis e a salvação nos brechós ou second hand, expressão chic para a roupa usada ou sobra de estoque.