Moda e Estilo

Por Iesa Rodrigues

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IESA RODRIGUES

Agonia e êxtase para admirar. Ou vestir?

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Publicado em 12/07/2026 às 10:35

Alterado em 12/07/2026 às 10:53

Daniel Roseberry criou Schiaparelli inspirado em livro de Irving Stone Fotos: divulgação

Como definir a Alta Costura? Já foi uma exibição de costura artesanal, vista por plateias milionárias, que talvez se interessassem pelas roupas feitas sob medida em tecidos exclusivos.

Depois a HC (Haute Couture) passou por uma fase de fantasia, baseada em 20 nomes estabelecidos na lista da Chambre Syndicale da moda de Paris.

E agora? A lista de participantes pode chegar a 30, incluindo os tradicionais e os aspirantes a entrar neste universo que exige um mínimo de 20 a 30 artesãos, um ateliê em Paris e uma coleção de pelo menos 20 looks, entre modelos para dia e noite. Os convidados devem participar por quatro anos, até serem admitidos na lista oficial.

E o que é desfilado atualmente nas coleções?

Primeiro, o que é visto nas passarelas de salas e jardins tem como competição as fotos dos convidados e celebridades no backdrop, o painel que equivale aos tapetes vermelhos americanos, com os logos das marcas ou dos patrocínios. Em segundo, há uma busca de emoção, algo além das sugestões de roupas exclusivas e das pesquisas com novos tecidos desenvolvidos até em impressoras 3D.

Além dos cabides

Definitivamente, ninguém quer mais saber de perfeição, de acabamentos primorosos. O que predomina é o conceito waki sabi, a filosofia japonesa que preza a imperfeição, a falta de acabamento, o quase feio. Em segundo lugar, há a emoção que inclui as trilhas dos desfiles e segue pelos conceitos inspiradores das coleções.

Por exemplo, que tal ter Agonia e Êxtase inspirando Daniel Roseberry na Schiaparelli? O livro do Irving Stone sobre Michelangelo, na fase do teto da Capela Sistina, se transforma em roupas de recortes, relevos que parecem serpentes, tecidos com jeito de verniz, mas fluidos. A peça básica é o corpete, o corselet. E muito branco, apesar de ser criação para o inverno 26/27. Uma bela coleção, do ponto de vista criativo.

 


A estampa delicada, o eterno preto e o tailleur com o tweed desfiado na barra. Tudo Chanel Fotos: reprodução/Instagram

 

Se Agonia e Êxtase parece pesado (tem também o filme, dirigido por Carol Reed em 1965), a inspiração pode ser mais infantil. Como os contos de fadas que Matthew Blazy andou lendo e misturou com referências nas coleções da própria Chanel. Mas tudo renovado: o tweed pode ser feito de jeans, as calças podem ter bainhas desfiadas, inacabadas, os sapatos podem ter saltos em forma de galinha, ovos, bichos de fábulas. Como no prêt-à-porter, Blazy usou ráfia e plumas, dando margem para o lado conceitual. Foi mais um belo desfile Chanel.

 


Dior ficou bem, com a revisão do casaquinho Bar feita pelo Jonathan Anderson Fotos: reprodução/Instagram


Outro “novato” que está acertando o passo com a Maison que representa é o Jonathan Anderson. Sinceramente, o que foi aquele primeiro desfile prêt-à-porter no ano passado? Nesta Alta Costura, Anderson deixou de lado os volumes estranhos, investiu em amarrados, nós, drapeados e plissados. Também com barras desfiadas, bordados com fios soltos, inacabados - talvez para chamar a atenção para o trabalho das bordadeiras? - e até a revisão de peças originais do Christian Dior, como o famoso tailleur Bar, o que deu origem à expressão New Look.

 


Na Balenciaga, além do dispensável volume na saia, desfilaram pretos de decote reto, capas e o roxo Fotos: reprodução/Instagram


Balenciaga foi um grande designer, verdadeiro arquiteto da moda. É difícil continuar sua Arte. Ainda falta alguma pesquisa por parte do Pierpaolo Piccioli para cumprir esta missão quase impossível. O que ficou mais evidente foi a série de vestidos pretos com punhos e golas brancas, as cores marcantes como o verde e principalmente o roxo. Muito branco e preto como gostava o Mestre espanhol. Uns detalhes a mais: o desfile foi em um jardim, modelos passando em volta de um canteiro circular, a plateia sentada em volta, em círculo, em bancos coletivos, SEM ENCOSTO, aquela maldição para as lombares dos convidados. Mas a música era boa, um cover de Perfect Day, do Lou Reed.

Yves Saint Laurent não desfilou. Maison Margiela vai mostrar a coleção em Xangai. E a tal lista de participantes abriu para o mundo. Já tivemos Ocimar Versolato desfilando na Alta Costura nos anos 1990, e Gustavo Lins ainda consta da lista oficial da Câmara Sindical.

E esta Arte da moda continua firme, enquanto a Fast Fashion luta para sobreviver. Porque a Alta Costura não pretende vender. É a expressão da criatividade de quem trata roupa como escultura, pintura, poesia e teatro.

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