IESA RODRIGUES
A volta da moda
Publicado em 14/06/2026 às 08:23
Alterado em 14/06/2026 às 11:16
A vila da Babilônia Feira Hype na edição de 2024 do Rock in Rio Foto: divulgação
Enquanto os quatro grandes polos - Paris, Londres, Milão e Nova York - se empenham em recuperar o prestígio das semanas de desfiles, aqui na América Latina ainda tentamos voltar a uma época em que as escolas de moda eram disputadas e revelavam novos talentos. Uma época em que eram admiradas coleções em eventos no Rio, São Paulo, Goiânia, Brasília e Fortaleza. E o melhor, quando havia um prêmio, patrocinado pelo Rio Sul, com a celebração com direito a shows de Cazuza, Cassia Eller e Marisa Monte. E Latoya Jackson na primeira edição! A premiação era escolhida por um júri que ia aos desfiles e showrooms para julgar os melhores. No final, o show, que nem sempre recebia a atenção merecida - muitos convidados preferiam festejar ou ir embora, enquanto rolava o show (Marisa Monte, na época, iniciante, ficou cantando quase sozinha).
Mas a moda vai tentando superar a cultura de selfies e lives, que na verdade limitam a avaliação dos produtos. Estão voltando os destaques merecidos, entre prêmios e integrações com outras atividades.
A Feira no Rock
Um exemplo desta integração é a convocação da Babilônia Feira Hype para ocupar um setor entre a montanha russa e o palco New Dance Order, no Rock in Rio. Uma vila, criada pelo arquiteto João Uchôa, vai receber cerca de 60 marcas, distribuídas em três grupos: o primeiro, dias 04 e 05, o segundo, dias 06 e 07 e o terceiro, de 11 a 13, sempre do mês de setembro, já que o Rock in Rio acontece nesses dois fins de semana. Cada grupo tem espaço para 20 marcas. O próprio Roberto Medina, “dono” do evento musical, fez questão de ir a uma edição da Babilônia, visitou e conversou com cada expositor, no Parque das Figueiras. Robert Guimarães e Fernando Molinari, sócios na BFH, já têm no currículo o lançamento de marcas como a Farm, Via Mia, Complexo B, Espaço Fashion, Garage, Zinzane, Zerezes, cases de sucesso até internacional (como a Farm e a Complexo B).
As inscrições para a curadoria e seleção estão abertas aos candidatos no site
Só não valem coleções de jeans, óculos, bonés e camisetas, para não competir com as demais lojas do Rock in Rio.
Íntimo e sustentável

Eleonora Erthal, CEO da Monthal Foto: divulgação
Qual a qualidade mais usada para definir a roupa íntima? Sensualidade, se a pesquisa é sobre estilo. A Monthal, marca que produz camisolas, pijamas, peças basicamente para ficar na intimidade, é mais famosa por buscar a sustentabilidade nos processos de produção. “Temos uma trajetória com propósito, trabalho e verdade”, costuma dizer Eleonora Erthal, CEO da Monthal, que neste ano ganhou o prêmio Julio Arp, por dois fatores. Primeiro, o empreendedorismo, apostando num setor tão especial. E em segundo lugar, pelo lado industrial, capaz de renovar coleções originais com frequência, produzidas em Bom Jardim, cidade próxima da região serrana de Nova Friburgo. O resultado é a melhor camisola, em tecido confortável, com estampas exclusivas. E conjuntos de pijamas tão bonitos, que são usados nas ruas, longe dos quartos de dormir.
A peruana em Washington

A Condessa Isabel representa o Peru e a França na gala americana Foto: divulgação
Para celebrar os 250 anos da independência americana, o Kennedy Center de Washington recebe convidados para a Global Art & Fashion Gala neste domingo, dia 14 de junho. Além de trabalhos de Arte e exposições, haverá uma mostra de International Designers e Fashion Houses, com representantes de moda de 10 países. Entre eles, um nome representa ao mesmo tempo o Peru e a França: a condessa Isabel Mauleon de Bruyeres, da marca Comtesse Isabel. Já falei sobre ela, que lança coleções feitas com lã de vicunha, uma das mais quentinhas e delicadas que existem. Também integra modelos com estampas feitas com temas de azulejaria assinadas por Maria Francisca de Orleans e Bragança, e aposta no mercado brasileiro, presente em pontos de venda antenados como a multimarcas Pinga. Muito bom este destaque de gala para uma profissional latina.
Enfim, algo se movimenta no mundo criativo. Depois de um período de motivação em casa, móveis e reformas, graças ao isolamento da pandemia, entramos em fase gastronômica, com pessoas aprendendo a cozinhar pela internet. Agora, há quem diga que é a hora das viagens - vale tanto pegar um ônibus para São Paulo quanto planejar uma ida para Tóquio. Mas a moda está reencontrando seu caminho. No Brasil, além da iniciativa da semana de desfiles do Rio Fashion, andei ouvindo comentários sobre uma possível volta da premiação do setor de moda. Quem se habilita a patrocinar?