Moda e Estilo

Por Iesa Rodrigues

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IESA RODRIGUES

O patinho feio que virou cisne

Publicado em 24/05/2026 às 11:48

Alterado em 24/05/2026 às 11:51

A loja no Rio Sul, com padrões globais Foto: divulgação

Acontece muito: vemos uma roupa ou um acessório diferente de tudo o que já vestimos ou usamos. Qual a primeira reação? “Que coisa horrível, nunca vou comprar isto!” Em geral, em três meses, quando a tal peça começa a ser vista em outras pessoas, principalmente celebridades, a feiúra começa a se tornar interessante. “Acho que tenho que ter também, para ficar atualizada”, é o pensamento meio envergonhado, e lá vem a sacolinha com a ex-coisa horrível.

 


Imagem tradicional do look de turista Foto: divulgação


Pensem bem: há algumas décadas provocava risos encontrar um turista, em geral alemão, de chinelo de duas tiras e meias brancas! Sem a leveza das Havaianas ou o aparente conforto dos tênis, era um calçado “de gringo”..

Um pouco de historinha: a Birkenstock foi criada por um sapateiro, o alemão Herr Johann Adam Birkenstock, em 1774. Primeiro, era só uma palmilha que se adaptava aos pés de quem calçava. Após a Segunda Guerra, os soldados usavam os tais chinelos porque davam suporte ortopédico. Nos anos 1960, Karl Birkenstock, filho do tataraneto do Johann, lançou a sandália atlética de palmilha flexível, que tinha que ser segura com os dedos dos pés. Devia ser uma tortura, mas foi adotada por atletas ginastas, porque tonificava os músculos das panturrilhas.

A Europa aderiu rapidamente. Mas como entraram no maior mercado do planeta, os Estados Unidos? .Nos anos 1960, a americana Margot Fraser levou as Birkens para as lojas de produtos naturais através de sua empresa comercial, em Novato, Califórnia. Tinha que ser o estado mais antenado, e foi fácil associar o produto ao movimento hippie, que dominou boa parte dos hábitos de vestimenta até os anos 1970.


A Birkenstock do Valentino Foto: divulgação


Atualmente, os chinelos feios são vistos nos desfiles de marcas como Valentino, Rick Owens, Celine (com a palmilha coberta de vison), Givenchy e Giambattista Valli. Já existe, desde 2019, uma linha premium, a 1774, lembrando o ano da invenção. O modelo best-seller é o Arizona, e foi lançada a Boston, uma versão fechada.

 


A versão Arizona, a Birkenstock de mais sucesso Foto: divulgação



O modelo fechado, chamado Boston Foto: divulgação


Agora, no Rio de Janeiro

A Birkenstock estreou no Rio no shopping Leblon. Além de vários endereços em São Paulo e Brasília, acaba de ser inaugurada a loja no shopping Rio Sul. Além de ser mais uma marca internacional, trazida pelo grupo Iguatemi, atual dono do Rio Sul, será a primeira loja brasileira a incorporar elementos globais do “2.0 System”, conceito de arquitetura e visual merchandising adotado internacionalmente pela marca. Outro diferencial é contar com uma parede inspirada nas areias das praias cariocas. Para celebrar, a loja contará com ativações como a personalização de charms.

 


A loja com elementos de arquitetura e merchandising global Foto: divulgação


Assim, o que era o chinelo patinho feio, virou sapato cisne cobiçado, com preços em torno dos R$ 600 até mais de R$ 1 mil.

O Rio Sul é um dos shoppings mais populares da cidade. Pode não ser grande como o Barrashopping nem vender tanto quanto o Norteshopping ou o Tijuca Shopping. Mas tem visitantes de todos os cantos do mundo, é central e diversificado. O novo dono, o grupo paulista Iguatemi, está na fase de trazer marcas internacionais, como a Birkenstock e a H&M. Mas o Rio Sul já conta com marcas globais, como a Boss, da alemã Hugo Boss e a espanhola Zara, inclusive a Home.

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