IESA RODRIGUES
O luxo tem seu lugar
Publicado em 23/09/2023 às 12:23
Alterado em 23/09/2023 às 12:38
Como funciona o mercado de moda brasileiro? Nos anos 1970 e 1980 era comum concluirmos que a grande qualidade da nossa moda era o mercado consumidor! As clientes que corriam para as butiques no mínimo uma vez por semana em busca de novidades sustentavam as marcas e renovavam as coleções.
Neste século doido, neste 21 estranho, muita coisa mudou. O consumo de casa aumentou, se ficar em casa clicando nos sites cheios de descontos promissores, encontra escolhas maiores e acontece de os preços serem menores no e-commerce.
E de repente, um estilista alemão se instala no Village Mall, uma loja administrada por uma ex-modelo, com quem é casado. Roupas de luxo no shopping de luxo, aparentemente destinado ao fracasso. Mas as marcas internacionais continuam lá, as Tiffany´s e Vuittons, Pradas e Burberrys.
Não satisfeito com as vitrines que brilham com mocassins e roupas trabalhadas com cristais, o alemão Philipp Plein, casado com a bela Fernanda Rigon, traz para o Rio a coleção Hot Couture. Com direito a desfile no quiosque em frente à loja, a trilha da DJ Camila Peixoto, champanhe rolando. Perguntei à Fernanda o preço da coleção. “De R$ 44 mil a R$ 118 mil”, respondeu. Devo ter arregalado os olhos, porque ela riu e completou “e hoje já foram vendidos dois!”.
Como era Hot Couture (trocadilho com Haute Couture), toda confeccionada no ateliê de Los Angeles, se um modelo é vendido, ele sai do conjunto de 12 looks. Se por acaso não for nas medidas da cliente, ela terá o seu feito sob medida.
Na primeira impressão o estilo tem brilho demais, fendas demais. Depois, parece que merecia uma coerência maior no casting, talvez cabelos mais neutros, iguais. As modelos poderiam ter parado para os dois lados onde havia fotógrafos - como não notaram que havia duas Nikons apontadas para elas de um lado?
A Hot Couture do Philipp Plein é um estilo. Um estilo luxuoso, exagerado, sexy, que às vezes nem precisa ser levado a sério, mas tem sua graça.
Quanto ao nosso mercado, ainda me surpreendo com a capacidade financeira de alguém comprar um supervestido por no mínimo R$ 44 mil! Quem entende o mercado brasileiro, por favor, me explique.