Baile do Copa combinou com a atual realidade do Brasil

Macaque in the trees
1 - Andréa Natal, no palco, com o grupo das Transformistas vermelhas; 2 - A Rainha do Baile do Copa, Débora Secco; 3 - Kelly Duque Estrada, a autoproclamada Sereia do Copa; 4 - Débora e os gondoleiros no palco do Copa; 5 - Sósia de Giselle Bundchen; 6 - O casal de turistas vestidos à altura de um baile de gala; 7 - Ana Maria Macedo, o diabinho e a máscara negra; 8 - Caroline Alvim e Alberto Guth; 9 - Terezinha Sodré levou cortejo; 10 - O casal elegante Mary Marinho e Haroldo Costa com o guru Anderson (Foto: Divulgação)
O Baile do Copa, tendo a Itália como tema, não foi um baile de nomes e sobrenomes, nem de gente jovem, mas compareceram aqueles que amam carnaval e adoram se fantasiar. A decoração não foi de luxo e riqueza. Na verdade, o baile poderia se chamar O Luxo Acabou, bem de acordo com a nova realidade brasileira. Mas o décor de Borriello celebrou a mais democrática das instituições italianas: a cantina, com toalhas quadriculadas em vermelho, verde e branco. Nos imensos buffets da cantina nos Salões de Leitura, grandes cestos com pães, réguas com vários tipos de queijos, salames, embutidos em geral. Ilhas com frutos do mar - algumas lagostas, inclusive - enfeitadas com boias de plástico laminado em formato de peixes e de cavalos marinhos, dentro de rede de pescar arrastão. O efeito ficou bonito. Nas paredes e sobre os aparadores e as mesas de apoio, os mesmos panos, que estavam até nos painéis do Golden Room. Engradados de frutas pregados nas colunas, misturados aos panos, a girassóis e tulipas, da Holanda. Alusão à Comunidade Europeia? No Golden Room, um teto de limões e folhas de limoeiros, que deviam fazer referência aos limonettos, bebida típica do Piemonte. O efeito do teto ficou bonito em sua simplicidade. O corredor de colunas do salão tinha estátuas masculinas romanas coloridas e douradas, carregando várias bolsas de supostas marcas italianas reinterpretadas, bem como cintos e gravatas. Deveria ser uma homenagem à moda. Do teto do Golden Room, pendiam enfeites de papel laminado dourado. Nas paredes, os painéis de pano quadriculado e máscaras de papel alumínio. Muitas mulheres de longo com abertura exibindo uma perna, algumas com transparências e bordados aplicados, quase todas com penas e plumas na cabeça, incontáveis arranjos que saem das caixas há muitos carnavais. O mais elegante casal da noite, no doubt, foi Mary Marinho e Haroldo Costa, o lord do samba. A anfitriã, Andréa Natal, bela mulher sempre, cobriu-se de azul até nas plumas da cabeça. Azul Portela, Beija Flor ou Vive la France? A celebridade da noite foi a suíça Nina Stevens, uma linda mulher, escoltada por Ricardo Rique. Figura polêmica presente: a devodora de corações paraguaia ,Verônica Castiñeira, com muitos decotes e aberturas em seu atual shape voluptuoso e curvilíneo. A tradição do baile estava representada pela sempre trepidante Eliana Pittman, acompanhada de seu cavalheiro, Luiz Carlos Lourenço. A foliã cativa e italiana, Giovanna Deodato, vestia um Armani vintage, mas não deu pra ser fotografada, porque ela saiu muito cedo, à uma e meia da manhã. Entediada? Na varanda, recepcionando os convidados, um grupo da dança folclórica tarantela, vestido à caráter. A orquestra foi a do Cordão da Bola Preta, que botou pra requebrar no palco a madrinha do baile, Débora Secco. Linda e irreconhecível, a atriz usava uma peruca preta à la Elizabeth Taylor jovem, e sambou num maiô que mais revelava do que escondia. Foi o grande momento da festa.

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Na abertura da Copa Dilma Rousseff foi "saudada" com um "O, Dilma, vai tomar...", coro iniciado em grupo de convidados de banqueiros, a que chamei de "elite branca". Classifiquei de desrespeito com a presidenta e precedente perigoso. Fui criticadíssima. Dilma estava no quarto anos de governo. Agora, com pouco mais de um mês de governo, Bolsonaro é alvo do mesmo coro em blocos de todo o país. E as críticas?