De encher os olhos

A goleada foi o de menos. O que encantou a torcida na vitória do Flamengo sobre a Cabofriense (4 a 0) foi a atuação rubro-negra. Não estivesse o goleiro George em grande tarde, o placar poderia ter sido dobrado, tantas foram as oportunidades para marcar criadas pelo time dirigido por Abel. Pela primeira vez, na temporada, o Fla venceu e convenceu. Mais que isso, encheu os olhos dos quase 50 mil torcedores presentes no Maracanã.

É claro que a Cabofriense não é um adversário que deva ser visto como um teste de fogo. Longe disso. Mas a desenvoltura e, principalmente, a vontade que o Flamengo demonstrou em campo, desde que a bola rolou, até o apito final do árbitro foi altamente elogiável. Diego (autor de um golaço de bicicleta) saiu como o craque da partida, mas vários outros jogadores tiveram desempenhos de destaque. William Arão (que marcou, de cabeça, o primeiro gol), entre eles. Éverton Ribeiro também.

O melhor da equipe rubro-negra, entretanto, nem foram as atuações individuais, mas o jogo coletivo, que fluiu pela primeira vez este ano. Triangulações bem-feitas, inversões de jogadas e trocas de posição pelo campo inteiro foram realizadas em alta velocidade, a despeito do tradicional toque de bola. Graças a isso, Uribe teve três grandes chances para balançar a rede e só não o fez porque o goleiro adversário praticou boas defesas.

Substituído por Gabigol (que, fatalmente, mais cedo ou mais tarde será o titular do comando do ataque), viu o camisa nove também desperdiçar oportunidades e igualmente passar em branco. Gabriel, entretanto, participou ativamente do lance do quarto gol, marcado por Bruno Henrique, numa jogada que contou também com a participação de Arrascaeta (que já marcara o seu gol, o terceiro).

Não sei quando Abel efetivará Gabigol, nem em que posição acabará escalando Arrascaeta (tirar Diego do time agora seria um sacrilégio). Mas que o elenco atual lhe dá opções fartas e de qualidade, dá. E, pelo futebol demonstrando ontem, o potencial desse Flamengo se reafirma como bem promissor.

Menos, Abad, menos

O Fluminense foi prejudicado, sim, no clássico em que acabou derrotado pelo Vasco. Se o pênalti a seu favor fosse marcado, e naquele momento o placar ainda estava em branco, a partida poderia ter sido bem diferente. De qualquer forma, não faz sentido a ameaça de jogar a semifinal contra o Flamengo com um time reserva. Pela tradição de sua camisa e pela história do próprio Fla-Flu, mesmo jogando com a desvantagem do empate, o tricolor pode sonhar em chegar à final da Taça Guanabara. Tomara que Fernando Diniz consiga demover o cartola dessa bobagem absurda.