Que venha a Lava Bola!

O Ministério Público do Rio Grande do Sul deu o pontapé de saída num movimento que o esporte brasileiro precisa faz tempo: denunciou vários crimes que teriam sido cometidos na administração do ex-presidente Vitorio Piffero do Internacional, em 2015 e 2016, e qualificou a gestão dele como “organização criminosa”.

Segundo o MP, foram descobertos desvios de recursos para obras que nunca foram realizadas, superfaturamento de gastos e pagamento de propinas nas compras de jogadores. Os delitos listados são de apropriação indébita, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

Alguém tem dúvida de que isso acontece em vários outros clubes e federações de futebol do Brasil? E também em outros esportes? Há anos, clamo por uma “Lava Bola” para moralizar e salvar não somente o futebol, mas o próprio esporte brasileiro.

Não custa lembrar que para que os podres da CBF fossem expostos foi necessária a intervenção do FBI. E para que o COB acabasse parcialmente desnudado (reforço: apenas PARCIALMENTE desnudado), uma vez mais, a investigação começou lá fora, com o escândalo da compra de votos para a realização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Por aqui, na semana passada, o Ministério Público do Paraná denunciou o ex-levantador Ricardinho por causa de dois eventos de vôlei financiados pela prefeitura de Maringá em 2014: a Liga Mundial de Vôlei (dois jogos da Seleção Brasileira contra a Polônia) e a Copa do Brasil de Vôlei. Os eventos custaram R$ 880 mil ao município e a Maringá Vôlei - presidida por Ricardinho - só conseguiu comprovar gastos de R$ 204 mil.

Que ninguém se iluda. Tudo de pior que se tem visto nas entranhas da política brasileira se repete nas relações promíscuas entre cartolas, empresários de jogadores e até técnicos. Inclusive da seleção. Quantas convocações estranhas e episódicas geraram negócios milionários nas últimas décadas? Pois é...

Isso sem falar nos estádios superfaturados (e transformados em elefantes brancos) da Copa de 2014. Se investigar a fundo, não sobra pedra sobre pedra. É aí mesmo que políticos e cartolas se misturam num lamaçal vergonhoso e malcheiroso.

O MP gaúcho levantou a bola. Só falta o novo ministro da Justiça, Sérgio Moro, cortá-la, autorizando a Polícia Federal a lancetar fundo o câncer da corrupção no nosso esporte. Vai que é tua, paladino!

Gorduchos em alta

O sucesso do atacante argentino Maxi López, que chegou e jogou claramente acima do peso, deve ter incentivado os dirigentes do Vasco a contratar Bruno César, que estava encostado no Sporting e sempre brigou com a balança. Vão formar, literalmente, uma dupla de peso...