Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Os Centros de Incompetência do Fla

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Diante do vigésimo primeiro fracasso do Flamengo em 24 competições disputadas na era Bandeira de Mello (o atual Brasileiro trata-se da vigésima quinta e última), é obrigatório tentar dissecar os motivos de tantos fiascos, apesar do altíssimo investimento feito no futebol – um dos maiores do Brasil. Que o presidente e seus mais próximos assessores não entendem patavinas do mundo da bola é mais do que sabido e comprovado. Mas, e os profissionais que compõem o chamado Centro de Excelência em Performance? E os do chamado Centro de Inteligência e Mercado?

Apurei como são formados tais núcleos. Vale a pena analisá-los. O chamado Centro de Excelência e Performance, acredite, é formado por 33 integrantes! Vou repetir, TRINTA E TRÊS PESSOAS! Um cabide de empregos supostamente formado para assessorar o trabalho de Maurício Barbieri e seu segundo, Maurício Souza.

O coordenador do CEP é o médico Márcio Tanure (um médico para chefiar um departamento de análise de performance?!?!). Enfim, o centro é composto por 5 médicos, 4 preparadores físicos, 1 coordenador científico (?!?!), 4 fisioterapeutas, 3 massagistas, 3 roupeiros, 1 enfermeiro, 4 nutricionistas, 1 analista de marketing (?!?!), 2 supervisores (nenhum deles engraxaria os sapatos do saudoso Domingo Bosco), 1 coordenador de transição (?!?!), 2 preparadores de goleiros, 1 dentista e 1 psicólogo.

Pode ser que, individualmente, muitos desses profissionais sejam competentes. Mas o trabalho do centro, como um todo, é altamente discutível. Basta ver os pífios resultados obtidos em campo. E, por favor, não me venham com “finais” (perdidas) ou sextos lugares (que garantiram vaga na Libertadores). Isso não está à altura de um Flamengo financeiramente saudável e capaz de grandes investimentos em jogadores.

Falando em contratações, chega-se, então, ao outro núcleo. O tal CIM (Centro de Inteligência e Mercado), chefiado por Marcos Biasotto e que conta com 4 analistas que deveriam pesquisar e avaliar o mercado, apontando as melhores alternativas para o clube rubro-negro. O histórico de Geuvânios, Marlos Morenos, Henriques Dourados, Uribes etc. fala por si. Nunca o Fla contratou tanto, tão caro e tão mal. Parabéns aos envolvidos.

Regata Moderna

Esses centros de incompetência rubro-negros me remetem a uma deliciosa crônica, que me foi enviada em meados dos anos 90, mas é cada vez mais atual. Ela é sobre uma série de regatas fictícias disputada, a partir de 1995, entre o Brasil e o Japão. Logo na primeira delas, o barco japonês disparou à frente, completando a prova uma hora antes do brasileiro. De volta ao país, nosso Comitê Executivo se reuniu para avaliar as causas de tamanho desastre e constatou:

A guarnição japonesa era formada por 1 chefe de equipe e 10 remadores.

A equipe brasileira era formada por 1 remador e 10 chefes de equipe.

A decisão passou, então, para a esfera do Planejamento Estratégico, que deveria realizar seríssima reestruturação do time, visando à regata do ano seguinte. Em 1996, dada a largada, outra vez, os nipônicos sumiram no horizonte e, dessa vez, chegaram duas horas à frente dos brasileiros. Nova análise das causas do fracasso apontou os seguintes resultados:

A guarnição japonesa continuava com 10 remadores e 1 chefe de equipe.

A brasileira, após as mudanças propostas pelo Planejamento Estratégico, era formada por 1 chefe de equipe, 2 assessores da chefia, 7 chefes de departamento e 1 remador.

A conclusão do Comitê que analisou o novo fracasso foi unânime: “O remador é incompetente”!

Em 1997, nova oportunidade. O Departamento de Tecnologia e Novos Negócios do Brasil pôs em prática um plano para melhorar a produtividade da equipe com a introdução do que havia de mais moderno no mercado e que, sem dúvida, produziria aumentos significativos de eficiência e eficácia. Os pontos principais das mudanças eram o “resinzing” e o “turnaround” e, com certeza, desta vez, os brasileiros humilhariam os japoneses. O resultado foi catastrófico e o barco brasileiro chegou três depois do rival do Sol Nascente. As conclusões revelaram dados aterradores.

Mantendo sua tradição milenar, a guarnição nipônica era formada por 1 chefe de equipe e 10 remadores.

A brasileira, por sua vez, utilizou uma formação vanguardista integrada por 1 chefe de equipe, 2 auditores de qualidade total, 1 assessor especializado em “Empowerment”, 1 supervisor para assuntos de “Downsizing”, 1 analista de informática, 1 chefe de tecnologia, 1 “controller”, 1 chefe de departamento, 1 cronometrista de tempo e ... 1 remador.

Depois de vários dias de reunião e análise, o Comitê Executivo do Brasil decidiu castigar o remador e abolir “todos os seus benefícios e incentivos, em função do fracasso alcançado”. Na reunião de encerramento, o mesmo Comitê, fortalecido pela presença dos acionistas, anunciou:

- Contrataremos um novo remador, mas desta vez com contrato de prestação de serviços, sem vínculos trabalhistas, para que não tenhamos que lidar com os sindicatos, que degradam a eficiência e a produtividade dos recursos humanos.

Alguma semelhança?

Pois é ...



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