DICAS DO AQUILES
Sambar é bom e é preciso; defender a democracia, também!
Publicado em 03/10/2026 às 11:04
Alterado em 03/10/2026 às 11:05
Capa do CD Foto: reprodução
Por ser um final de semana tão especial, trataremos do álbum Na Linha do Tempo (independente), com o qual o grupo Sururu na Roda comemora 25 anos de uma carreira dedicada ao samba. Engalanados na capa, todos a rigor, seguem, com a alma do Sururu, fiéis ao velho e bom pé-sujo, lugar que costuma receber desde a tradição do samba de raiz, quando desce do morro e vem pra cidade, até o pagode que desafia o improviso dos partideiros em duelos de rimas e batuques.
O Sururu nasceu em 2000 no Rio de Janeiro, com a desambição profunda das rodas de bambas do samba. E assim o grupo segue no andamento que o levou a ser um dos símbolos da resistência oral da cultura musical carioca.
Com sua formação atual, Ana Costa (voz e violão), Fabiano Salek (voz e percussão) e Silvio Carvalho (voz e percussão), desenvolvem a tradição e o bom humor que brotam nas noites de sambas e sambistas em torno das mesas dos bares. Convívio este sabiamente revisitado no CD festivo, quando o refinamento dos arranjos igualmente veste smoking: assim o Sururu se renova, conservando-se fielmente igual.
O repertório é de se ouvir com um copo de cerveja na mão, enquanto a outra batuca na mesa e o sorriso ilumina o rosto:
“Mutirão de Amor” (Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Sombrinha); “Sorriso Aberto” (Guará); “Pura Semente” (Acyr Marques e Arlindo Cruz); “Água da Minha Sede” (Dudu Nobre e Roque Ferreira); “Sambas de Roda” (pot-pourri): “O Cavalo de São Jorge” (Paulinho Pinheiro e Roque Ferreira), “Milagre” (Dorival Caymmi) e “Todo Menino é um Rei” (Zé Luiz do Império Serrano e Nelson Rufino); “Conversa de Botequim” (Noel Rosa e Vadico); “Mascarada” (Elton Medeiros e Zé Keti); “Ex-Amor” (Martinho da Vila); “Seja Sambista Também” (Arlindo Cruz e Sombrinha); “Fogo de Saudade” (Sombrinha); “Testamento de Partideiro” (Candeia) e “É” (Gonzaguinha).
Como de bobo o Sururu só tem as penas, entregou a direção musical do CD para Rildo Hora, que tocou realejo em todas as faixas; trouxeram, também, Mart’nália para participar de “Mascarada” e Marcelo Caldi para tocar piano em quatro sambas, além de Dirceu Leite, que tocou flauta e clarinete em quatro, e Léo Ramiro, que tocou trombone em outros quatro sambas.
Depois de louvar o Sururu na Roda, relembremos o porquê de eu ter dito que este final de semana é especial. Sim! É! Porque hoje é dia de salvar a música e a cultura brasileiras; dia de garantir o SUS e preservar nossas terras raras; dia de assegurar os direitos às minorias, impedindo que os negacionistas destruam a democracia que custamos conquistar. Sim! Domingo é o dia de afastar os golpistas que ainda ameaçam a nossa soberania.
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica: Capa – designer: Simone Campos, foto: Rogério von Krüger; gravação e mixagem: William Luna; masterização: Alexandre Rabaço; produção: Alan Rabelo.
Ouça o álbum