Dicas do Aquiles

Por Aquiles Rique Reis

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DICAS DO AQUILES

A música não morrerá nunca!

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Publicado em 05/09/2026 às 07:05

Alterado em 05/09/2026 às 13:31

Capa do CD Foto: reproduções

Hoje trataremos de Toró (selo Risco), álbum e filme de Vitor Araújo e da Metropole Orkest, trabalho que consagra Araújo e integra a música instrumental brasileira ao circuito mundial. O audiovisual, gravado ao vivo em Amsterdã, marca a sua estreia como solista de uma grande orquestra sinfônica internacional.

Pernambucano do Recife, Araújo eleva e revela a potência da criação nordestina, feita de mangue e caranguejo, folguedos e tradições milenares, ritmos múltiplos e plenos de brasilidade. É a cultura nordestina libertária, mais uma vez, rompendo fronteiras.

Como solista e compositor, Araújo passa a também integrar o pequeno grupo de artistas brasileiros que já colaboraram com a Metropole Orkest, Edu Lobo e Ivan Lins. Novamente, Nordeste e Europa se juntam para criar a sempre buscada “música universal”. O mundo aplaude!

Os músicos que integram a banda de Vitor Araújo, valendo-se de elementos eletrônicos e experimentações, agregam vigor à música europeia, trazendo à tona um delírio tão popular quanto o charme da junção, superando as expectativas do ouvinte.

Divididos em “toques”, convido-os a ouvir alguns, seguindo os comentários que transcrevi do encarte – eles ilustrarão a audição. Por exemplo:

Toque nº1
“A abertura do concerto se dá através de uma das ‘macumbas orquestrais’ do repertório, peça maximalista com forte inspiração nos trabalhos instrumentais de Villa-Lobos, Moacir Santos e Antônio Carlos Jobim, onde melodias e harmonias com característica de cantiga brasileira vão se avolumando numa espiral crescente entre orquestra, piano e percussões”.

Toque nº2
“Talvez a mais experimental das músicas de Toró, onde um rádio de pilha sintonizado ao vivo é o instrumento solista à frente da orquestra sinfônica. A faixa, construída com técnica minimalista, traz uma homenagem às peças para rádio do vanguardista John Cage e também uma memória da já clássica performance ao vivo do Radiohead tocando ‘National Anthem’.”

Toque nº3
“Faixa inspirada nas agremiações de afoxé que saem às ruas no carnaval de Recife e Olinda. Um confronto entre os frenéticos elementos cíclicos e percussivos em 140bpm e a melancolia espacial da voz e das cordas da orquestra, com ambos elementos pairando etéreos sobre a acelerada sessão rítmica”.

Juntos, Vitor Araújo e Metropole Orkest constroem e articulam a pulsação rítmica nordestina que, somada à erudição europeia, realçam a soma das potências.
Enfim, quando os humanos acabarem de destruir a Terra, restará a música que nos redimirá.

Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica: Regência Metropole Orkest: Jacomo Bairos – quatro primeiros violinos, quatro segundos violinos, três violas, dois cellos e um contrabaixo. Banda de Vitor Araújo — Mauro Refosco: percussão; Aduni: ogã; Amendoim: percussão; Charles Tixier: bateria, synth, MPC e samples; Felipe Pacheco Ventura: guitarra.

Ouça o álbum

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