DICAS DO AQUILES
Viva Mauricio Einhorn!
Publicado em 18/07/2026 às 08:01
Alterado em 18/07/2026 às 12:36
Detalhe da capa do LP Foto: reprodução
Hoje tratarei de um trabalho extraordinário, o LP Maurício Einhorn – ME. Ao dizer que é extraordinário, tenho dois bons motivos. Primeiro, porque é um álbum de Maurício Einhorn, um dos maiores músicos brasileiros em seu instrumento, a harmônica, mais conhecida como gaita ou realejo. Como ele, apenas Rildo Hora. Segundo, porque é um álbum de 1979, o que difere das pautas desta coluna, que costuma trazer CDs recém-lançados.
Sou admirador do Einhorn desde meu tempo de juventude em Niterói, quando me acostumei a ouvi-lo. Plena de sofisticação e brasilidade, a sonoridade de sua harmônica me tomou. Autor de alguns clássicos, o gaitista carioca construiu momentos de rara criatividade ao lado de nomes como Tom Jobim, João Donato, Paulo Moura, Eumir Deodato e Baden Powell, dentre outros.
Mais do que um virtuoso, Einhorn se tornou espelho para os que assimilaram e os que ainda assimilarão o seu pioneirismo na gaita brasileira. Com ela, o samba, o jazz, o choro, a bossa nova e o samba jazz alcançaram contemporaneidade eterna. Desde suas melodias, passando pelos improvisos, sua criatividade soa libertária – e sua música se faz perene em vida! O link para escutar o long-play de EM, bem como a sua ficha técnica, estão no final deste texto.
Saca só o repertório: “Batida Diferente” (Mauricio Einhorn e Djalma Ferreira); “Sarro” (Mauricio Einhorn e Arnaldo Costa); “Alvorada” (Mauricio Einhorn, Arnaldo Costa e Lula Freire); “Estamos Aí” (Mauricio Einhorn, Djalma Ferreira e Regina Werneck); “Brinquedo” (Mauricio Einhorn e José Schettini); “Limbo” – Tema para Ron Carter e Jim Hall” (Mauricio Einhorn e Arnaldo Costa); “Claus” (Mauricio Einhorn e Celso Loch); “Tristeza de Nós Dois” (Mauricio Einhorn, Djalma Ferreira e Bebeto Castilho); “Sketch” (Mauricio Einhorn e José Schettini) e “Jóia (Joy)” (Mauricio Einhorn e Alberto Arantes).
Destaque: dentre os instrumentistas presentes está um grande pianista: Nelson Ayres!
Mas o que também me levou a escrever sobre Mauricio Einhorn foi o fato dele estar festejando 80 anos de carreira e 94 anos de vida... e que vida! Meu Deus!
E para festejar ele subiu ao palco do Dolores Club, na Lapa carioca, com Marcos Nimrichter (piano), Bruno Aguilar (baixo) e Xande Figueiredo (bateria), mais a participação especial do saxofonista francês Idriss Boudriou, que estrelaram o show “Maurício Einhorn 94 Anos – Mestre da Harmônica”.
Com brilho nos olhos, fecho a coluna em homenagem ao mestre Mauricio Einhorn, um brasileiro que glorifica a nossa música e os instrumentistas brasileiros.
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica do LP: Mauricio Einhorn: harmônica (gaita); Nelson Ayres: piano, Fender-piano; Roberto Sion: flautas e saxes: Luizão: baixo; Markú: bateria, percussão e vocais; Robertinho Braga: bateria (faixas 06 e 09); Gege: bateria (faixa 07); Sebastião Tapajós: guitarra; gravação: Estúdio Havaí, Rio de Janeiro, junho de 1979.
Ouça o LP