Dicas do Aquiles

Por Aquiles Rique Reis

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DICAS DO AQUILES

A tradição reavivada

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Publicado em 10/01/2026 às 11:42

Alterado em 10/01/2026 às 11:42

Capa do CD Foto: reprodução

Hoje trataremos de Vozes Vissungueiras (apoio Lei Aldir Blanc e Proac), álbum que busca reacender o Vissungo como forma de resistência e preservação cultural.

Mas o que é “Vissungo”? Bem, é uma tradição afro-brasileira e uma das formas mais antigas e populares de canto. Originário das minas de ouro e diamante em Minas Gerais, entoado em línguas africanas por escravizados. Seu canto expressa dor, sofrimento e esperança na preservação da ancestralidade.
Ao álbum.

“Hino (Tangana Nzambi)” abre a tampa com o vissungueiro Enilson Viríssimo – além de solista, Enilson é o guardião do repertório, contribuindo para a preservação de cantos ainda inéditos e só agora gravados. A seguir, “Bendito (Louvado Seja)”: o solista segue seu cântico, enquanto o coro responde com vocal aberto. Logo, um solista declama os versos de “Entrada com o Quivimba na Igreja”.

“Meu Corpo Todo Me Dói” segue com a percussão e a cantoria do coro e do solista. “Caxinguelê”: o violão toca a intro e junto com a percussão o solista dobra a própria voz, enquanto o coro arrepia.

“Kuenga” chega com o chocalho apresentando dois cantores num canto malemolente. “Candamburu” rola recitado e logo o ritmo se dá ao solista, que segue a sua reza. Em “Dondoronjó (Canto da Tarde)” o violão ponteia com a percussão chocalhando e uma solista cantando sob o bater dos tambores. A flauta inicia “Tinguê Canhama” que, acompanhada pelo violão, puxa o solista. “Maria Combe” sobe com um duo vocal misto e logo uma solista canta arritmo.

“...lo vim de Aruanda” (com reticências): a timbila (um tipo de xilofone originário do povo Chopi de Moçambique), rola com percussão e coro. Em “Jambá” o violão ponteia, o solista canta e a percussão marca. “Nda popera (Apopuero Catá)” vem com o violão e, em meio ao ritmo balançado, logo a solista eleva sua cantoria. O tambor bate em “Dendengá”, o violão traz a harmonia e o solista atrai o coro de vozes femininas e a percussão. E chega “Andambi”: a voz feminina se ajunta à masculina para fechar a tampa.

Vozes Vissungueiras é um trabalho de fôlego sobre uma cultura que até hoje é alvo de racismos, nos levando a entender quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir. Ouvi-lo é como presenciar um louvor à Cultura e juntar-se à comemoração pela luta que a trouxe até aqui.

Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica:
Percussão: Gui Braz, Luciano Mendes, Otis Selimane e Salloma Salomão; cordas: Di Ganzá; baixo: Marcelinho Dendém e Gui Braz; violão e guitarra: Gui Braz; flauta: Gui Braz e Salloma Salomão; timbila: Gui Braz. Vozes: Graciela Soares, Luciano Mendes, Mestre Enilson Viríssimo, Rita Teles e Salloma Salomão. Direção musical: Salloma Salomão; arranjos: Salloma Salomão e Gui Braz; curadoria: Rita Teles, Luciano Mendes e Joana Corrêa; mixagem e masterização: Nilson Costa. Artistas convidados: Juçara Marçal, Sérgio Pererê e Tiganá Santana.

Ouça o álbum

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