Cult, Pop & Rock

Por CAL GOMES

CULT, POP & ROCK

Capitão Fantástico salva o Rock in Rio

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Publicado em 17/09/2026 às 08:01

Alterado em 17/09/2026 às 14:48

Elton John enlouquecendo os anos 70 Foto: reprodução

Com o passar dos anos, fui perdendo o interesse pelo Rock in Rio. Principalmente quando os produtores decidiram que o festival teria também outra edição no meio do ano. Para mim, toda aquela atmosfera de concertos de verão, no início do ano no Brasil, especialmente no Rio, quando a juventude está de férias, com fôlego renovado, não se repete no inverno, quando o cansaço físico, emocional e mental mina o ânimo da população, que vai contando as horas para que o ano termine logo.

Quando os produtores, com enorme erro estratégico, "forçam uma barra" para faturar mais, explorando a milionária marca que construíram, ano a ano, desde a metade dos anos de 1980, desconhecendo índices, movimentos sociais, econômicos, políticos, comportamentais que, em ciclos, surgem por aqui e em todo o planeta, o resultado é um evento sem força de presença de público e de marketing. E quando a filha de Roberto Medina, o presidente e big boss do RR, Roberta, responsável por todo o planejamento e montagem da programação do festival, ao dizer, certa vez, algo como: "não importa quem nós contratamos para participar do Rock in Rio, sempre teremos grandes públicos em todas as noites", subestimou as mudanças frequentes de humores e paladares de um consumidor sempre instável e menos fiel.

O tempo, sempre implacável, mostrou que ela estava errada. Alguns fatores podem ser analisados para que essa edição pálida, que se encerrou no domingo passado, tenha fracassado. A empresária e também produtora Paula Lavigne publicou, no dia 11 deste mês, um artigo, em um jornal de São Paulo, se queixando das Bets, da jogatina indiscriminada que está tirando dinheiro da população e que, além de prejudicar o dia a dia das pessoas, também, consequentemente, está afetando o setor cultural, inclusive na diminuição da presença do público em shows.

Uma outra explicação que está sendo usada para essa queda do interesse pelo festival é o elenco de artistas que vem sendo formado, contratado, nos últimos anos. Alguns, como eu, enxergam que os grandes nomes do Rock/Pop, além de terem envelhecido consideravelmente, os que, de verdade, atraem, como dizem, todas as tribos, estão saindo do cenário de shows, turnês e se aposentando. Outros, sem que eu precise citar nomes, viraram "arroz de festa", que não atraem mais multidões como antes. Os artistas dessa nova geração, nacionais e internacionais, possuem um público ainda restrito.

Para sorte dos produtores dessa edição do RR, um senhor quase octogenário surgiu como o super-herói que sempre foi, que sempre está presente, para trazer luz e cor para o festival em mais um de seus milhares de shows de toda a sua trajetória musical, artística, nos últimos 50 anos. Sir Elton Hercule John, mais uma vez, subiu em um palco brasileiro e, durante duas horas, voltou a emocionar o público e a crítica. Brilhante como sempre, o britânico, de forma quase que inimaginável, ao interpretar, com a sua banda fenomenal, duas dúzias de seus maiores sucessos, mostrou que continua sendo imbatível, incomparável, e que, como imaginou o seu grande amigo Gilberto Gil, na canção Super Homem: "Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória mudando como um Deus o curso da história."

O Super-Homem do, também incomparávell, Gil ainda não apareceu, mas o Capitão Fantástico, sim... e salvou essa edição de inverno do Rock in Rio.
Abaixo, cito meus 3 álbuns preferidos de Elton, dicas de livro, filme e documentário.

Álbuns
Madman Across the Water - 1971 - Produtor: Gus Dudgeon
Só por abrir com Tiny Dancer, esse espetacular álbum é essencial para quem quer começar a conhecer melhor a maravilhosa vida artística, musical, de Elton John.

A cena do ótimo Quase Famosos, filme lançado em 2000, do diretor Cameron Crowe, quando músicos da banda e seus amigos cantam juntos essa bela canção, na estrada, dentro do ônibus da turnê, é inesquecível.

Destaco também a belíssima Rotten Peaches e a Holiday Inn, narrando os primeiros momentos cansativos de Elton de shows nos EUA no mítico hotel americano famoso por hospedar músicos e bandas de Rock nos agitados anos da década de 1970.


Box de luxo de Madman Across the Water, com CDs, poster, livreto, lançado em 2022 por ocasião da comemoração dos 50 anos do álbum Foto: reprodução

Goodbye Yellow Brick Road - 1973 - Produtor: Gus Dudgeon
Esse incrível álbum duplo é o meu preferido do cantor e pianista.

Talvez o que a sua parceria com o letrista e seu amigo de longa data, Bernie Taupin, tenha alcançado o maior nível de qualidade nas letras e músicas nas 21 canções. Uma obra-prima.

Destaco os 10 minutos de Funeral For a Friend, a que abre o álbum, Bennie and the Jets, Ballad of Danny Bailey e Roy Rogers.

Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy - 1975 - Produtor: Gus Dudgeon
Grande álbum. Na verdade, maravilhoso. Elton chegava na metade da década de 1970 mantendo a forma do início da carreira e se firmava, após o fim dos Beatles, como o maior artista musical inglês das últimas gerações e que conquistava um gigantesco público por todo o planeta.

As minhas preferidas são a faixa-título, que abre o álbum; We All Fall In Love Sometimes, uma das baladas mais tristes e bonitas que já ouvi na vida; a versão espetacular de Lucy in the Sky With Diamonds, dos Beatles, e a poderosa Philadelphia Freedom.

Livro
Captain Fantastic - A espetacular trajetória de Elton John nos anos 1970
Autor: Tom Doyle - 2017 - 318 páginas
Li em apenas 2 dias. Sem quase respirar. A frase "rapadura é doce, mas não é mole, não" se encaixa direitinho nos loucos, maravilhosos, dourados, iluminados, sombrios anos do músico, do início ao fim da década de 70.
Leiam!



Captain Fantastic. Ótimo livro sobre a vida pessoal e artística de Elton durante os os anos 70 Foto: reprodução


Filme
Rocketman - 2019 - Direção: Dexter Fletcher
Um dos filmes biográficos mais incríveis que já assisti e que também é um musical encantador.
Direção primorosa. Fotografia magnífica. Atuações maravilhosas de Taron Egerton como Elton e Jamie Bell como Bernie Taupin.



O pôster de Rocketman, filme biográfico e musical sobre Elton John Foto: reprodução


Documentário
Never Too Late - 2024 - Direção: R.J. Cutler e David Furnish
O documentário acompanha Elton se preparando para seu último show nos Estados Unidos e exibe imagens de shows e os bastidores da turnê de despedida.

O cantor relembra o início de sua carreira e os anos 1970 e mostra momentos difíceis de sua vida e a luta contra o vício.

Mantive inclusive as opiniões, expressões e construção autoral do texto, corrigindo apenas pontos necessários de ortografia, concordância e pontuação.

Obs. Não utilizo IA - Inteligência Artificial para escrever os meus textos para a coluna.

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