CULT, POP & ROCK
Sextou com Elvis!
Publicado em 03/09/2026 às 10:09
Alterado em 03/09/2026 às 13:34
Elvis havaiano no grande show em Honolulu em 1973
Foto: reprodução
A gelada noite da última sexta-feira, desse inverno que vai se caminhando para o fim, trouxe uma sonolência que me forçava a desligar a TV e "apagar "de vez. Uma última zapeada, porém, encontrou, em um canal qualquer, a imagem de Elvis Presley entrando no palco para o início de um dos seus muitos shows que realizou pelos EUA no final dos anos de 1960 e início dos 70 no formato clássico que exibia a sua nova imagem que, aos poucos, nos anos seguintes, foi exibindo o artista flertando com a decadência até partir "dessa para melhor", em 1977.
Eu ainda não tinha assistido a esse show no Hawaii, de 1973; o que me obrigou a esquecer o sono, o frio do quarto, a abastecer mais um copo de uma bebida quente e reservar os 50 minutos seguintes para ficar na companhia do Rei do Rock. E cada segundo daquele resto de noite, garanto, valeu muito a pena. Naquela quase uma hora, pela primeira vez, confesso, desde que me tornei um apaixonado por música, prestei atenção, de verdade, em Elvis Presley. Pela primeira vez esqueci de tudo um pouco que conhecia da história do personagem polêmico, do cantor espetacular, do artista único que vendeu incríveis mais de 500 milhões de álbuns pelo planeta e fiquei hipnotizado pela sua imagem extremamente carismática.
Dono de uma voz única, que saía de uma boca pequena, às vezes como uma leve brisa de verão, em outra, como um trovão enviado por um Deus Nórdico, Elvis, nesse show de produção caprichada, reinou absoluto diante de um público comportado mas extasiado, alojado em mesas especiais e em poltronas e cadeiras espalhadas pelo Honolulu International Center. Em pé, em volta do grande palco e por entre uma extensa passarela onde o artista caminhava empunhando o microfone enquanto interpretava, magistralmente, alguns dos seus grandes sucessos, ficavam, quase que escondidas, dezenas de suas apaixonadas admiradoras.
Trajando branco, jaqueta apertada e com bordados coloridos, calça de boca de sino escondendo sapatos de bicos finos e saltos baixos, várias vezes, ele parava, agachava calmamente para que algumas dessas admiradoras, do "gargarejo", lhe ajudassem a enxugar o suor do rosto ou pendurassem típicos colares havaianos em volta do seu pescoço encoberto pela gola alta. Algumas recebiam delicados beijos como recompensa.
O rosto bronzeado pelo sol do Havaí, os cabelos muito negros, as imensas costeletas que esbarravam com as covas que emergiam das bochechas quando ele disparava o seu famoso sorriso provocante, malicioso, combinavam com o corpo ainda esguio naquele início de década, ainda ereto, ainda saudável, mostravam o artista em plena forma física quando ensaiava alguns provocantes "vai e vem" dos seus quadris, da, outrora, censurada pélvis, dos rebolados mas bem mais comportados dos daquela época em que assombrou o meio musical e aterrorizou a sociedade careta americana quando surgiu nos anos de 1950.
No fim do show, ainda encantado pela apresentação de Elvis Presley que, na época, foi transmitido, via satélite, para vários países, fiquei pensando que se ele não tivesse existido, certamente, centenas de outros grandes nomes do Rock também não teriam surgido e se transformado em imensos artistas. O Rei, mais do que o seu gigantesco talento, foi o responsável direto pela criação e nascimentos de muitos Beatles, Stones, Leds, Whos, Floyds, entre tantos outros, por todos esses longos anos.
E um pouco mais de Elvis, de sua história e arte, deixo aqui nas dicas abaixo.
Biografia:
A biografia que é considerada definitiva de Elvis foi escrita pelo jornalista americano e crítico de música Peter Guralnick e publicada em 2 volumes:
- O Último Trem para Memphis, 640 páginas, 2022.
- Amor Descuidado: 928 páginas. 2023.

Volume 1 da biografia mais completa de Elvis Foto: reprodução
Filmes:
Elvis - Longa Metragem - 2022
Austin Butler e Tom Hanks
Diretor: Baz Luhrmann
O filme conta a trajetória do cantor e principalmente a sua relação conturbada com o empresário Tom Parker, o Coronel.

Tom Hanks, como Coronel e Austin Butler, como Elvis. No filme sobre o cantor lançado em 2022 Foto: reprodução
Priscilla - Longa Metragem - 2023
Cailee Spaeny e Jacob Elordi.
Diretor: Sofia Coppola
O longa biográfico baseado no livro Elvis e Eu, publicado em 1985, escrita pela própria Priscilla Presley, ex-mulher do Rei do Rock, teve boa aceitação do público e da crítica, mas em um depoimento à revista Rolling Stone, Priscilla admitiu que a diretora Sofia Coppola não foi tão precisa no final do filme: “A única coisa foi o final. Eu não fiquei muito feliz com o final. Não terminou daquele jeito. Elvis e eu terminamos de forma muito amorosa”.

Cailee Spaeny como Priscilla e Jacob Elordi, como Elvis, no filme Priscilla, de 2023 Foto: reprodução
Shows:
Elvis - Aloha from Hawaii - 1973
Direto de Honolulu, a capital havaiana, em janeiro de 1973, foi o primeiro show musical transmitido via satélite da história, atingindo um público gigantesco por 40 países em todo o planeta. O Brasil ficou de fora porque os distribuidores exigiam que mais da metade dos televisores tinham de ser coloridos e, na época, o país ainda não havia alcançado esse número de aparelhos.
Elvis - '68 Comeback Special - 1968
Produzido e exibido pela TV americana NBC, é o meu show preferido de Elvis.
Intimista, com o cantor vestido de calça e casaco de couro preto, acompanhado de violão e guitarra, e cercado de fãs, é considerado o primeiro acústico molde MTV.

Elvis todo de couro preto no show, quase acústico, de 1968 Foto: reprodução
Álbum:
Elv1S: 30 #1 Hits - 2002.
Coletânea essencial e espetacular com os grandes sucessos de Elvis nos Estados Unidos e Inglaterra, exclusivamente, só com as músicas que foram número 1 nesses países no período de 1956 até 1977. Se tornando um dos mais vendidos no mundo no ano do seu lançamento e também um dos mais vendidos de Elvis.
Obs. Não utilizo IA - Inteligência Artificial para escrever os meus textos para a coluna.