CULT, POP & ROCK
Eternos
Publicado em 23/06/2026 às 06:09
Alterado em 25/06/2026 às 13:10
O encontro entre Pelé e Hendrix que não aconteceu, infelizmente, mas que a Inteligência Artificial criou especialmente para ilustrar a coluna Foto: IA
Seguindo o ritmo da Copa do Mundo que absorve o tempo e os olhares dos habitantes de boa parte do planeta, este colunista, apaixonado por futebol, resolveu, sem deixar de lado a música, minha outra grande paixão, escrever um pouco sobre a polêmica que aparece, mais uma vez, sobre quem é o maior jogador da história do futebol. Os vários debates que surgem durante a Copa, disputada no Canadá, EUA e México, também têm esse tema como um dos mais comentados e acirrados e que sempre retorna quando algum craque intensifica o seu brilho durante a maior competição do esporte, que acontece de 4 em 4 anos.
Durante alguns anos, Maradona, o extraordinário craque argentino, foi qualificado como o personagem que, para muitos, destronou Pelé como o Rei do Futebol e, recentemente, o assombroso Messi, também argentino, principalmente neste início de Copa, para os mais fanáticos e apressados, consolidou-se como o maior e melhor de todos os tempos para os imediatistas, ultrapassando o gigantesco brasileiro e, até, o seu conterrâneo.

O ótimo álbum póstumo, de inéditas e de sucessos, Both Sides Of The Sky, lançado em 2018 Foto: reprodução
No entanto, para mim, essa comparação sempre será desproporcional e injusta com Pelé, que, desde o final da década de 1960, assumiu a coroa. Os anos em que o brasileiro jogou e brilhou intensamente eram outros; e o futebol, e todas as suas peculiaridades, era praticado de forma bastante diferente: os materiais esportivos, uniformes e chuteiras possuíam qualidades muito frágeis; a preparação física engatinhava; a ortopedia e a fisioterapia ainda não tinham alcançado tantos avanços, presas aos limites científicos e medicinais daqueles anos; os gramados possuíam condições, quase sempre, muito ruins; a iluminação dos estádios era acanhada; as arbitragens eram ainda mais medíocres do que as atuais e não contavam com o auxílio de recursos técnicos; havia a falta de rigor das entidades para punir a violência e o uso indiscriminado de substâncias químicas que interferem no desempenho dos atletas; o acompanhamento discreto de uma mídia muito limitada, diferente da atual, entre outros. E Pelé, que fez parte dessa época, do futebol praticado naqueles anos, enfrentando todos os tipos de adversidades, fez muito mais do que aqueles que hoje são considerados melhores do que ele e que, aliás, obtêm ganhos financeiros e todos os tipos de apoio e auxílio em sua preparação como atletas e cidadãos.
Assistindo, atenciosamente, a todo esse debate que consome parte das análises pré e pós-jogos, fiz um paralelo do que acontece com o Rock, especificamente, quando surgem guitarristas que muitos citam como melhores do que o fenomenal Jimi Hendrix, tirando do americano o posto de maior da história. Fato que, particularmente, acho um absurdo total e que me faz pensar nos detalhes, comparando as dificuldades enfrentadas pelo seu contemporâneo Pelé, da época em que o guitarrista surgiu com o seu dom musical extraordinário.
Nos curtos anos em que Jimi Hendrix esteve entre nós e brilhou com sua técnica e habilidade descomunais, os instrumentos não possuíam tanta tecnologia; as guitarras eram conectadas com fios que, vez ou outra, eletrocutavam os músicos; as cordas de aço se rompiam com muita facilidade; os amplificadores ainda estavam em desenvolvimento e a potência sonora era limitada; os pedais disponíveis na época não possuíam tantos recursos e efeitos; os músicos, produtores e engenheiros de som precisavam improvisar, quase que acorrentados às limitações que os estúdios de gravação impunham; e os palcos dos shows e concertos não ofereciam os mesmos espaços que facilitam as performances dos artistas.

O cartaz americano de Jimi: Tudo a Meu Favor, o filme biográfico de Hendrix, lançado em 2014 Foto: reprodução
Sei que o assunto específico da coluna é sobre música, mas, mesmo assim, tenho e me concedo a liberdade de preparar algumas misturas que envolvem outros temas, como, vez ou outra, tenho feito, como o escolhido de hoje, citando e criando paralelos entre dois craques geniais, e, enquanto desenvolvia o texto, algumas perguntas que ando me fazendo voltaram: Se Pelé jogasse no futebol atual, ele seria o jogador espetacular que foi? Se Jimi Hendrix não tivesse morrido tão cedo, em 1970, no ano em que Pelé assombrou o mundo do futebol na Copa do México, e se continuasse entre nós durante todos os anos seguintes, o que ele teria produzido, criado, gravado?
E, para quem ainda tem dúvida sobre as qualidades do Rei do Futebol de todos os tempos, se ainda não conferiu, assista ao documentário Pelé Eterno. E finalizo noticiando que Hendrix, na semana passada, foi homenageado em Nova York com um trecho da famosa West 8th Street (na vibrante Greenwich Village) renomeado oficialmente como "Jimi Hendrix Way", a alguns passos do seu mitológico estúdio Electric Lady, e deixo algumas dicas de álbuns, livros e documentários para que os leitores conheçam um pouco mais sobre o maior guitarrista das galáxias e, como Pelé, também eterno.

Quer conhecer Jimi Hendrix nas próprias palavras do guitarrista? Leia esse livro Foto: reprodução
Álbuns com The Jimi Hendrix Experience:
•? ?Are You Experienced (1967)
•? ?Axis: Bold as Love (1967)
•? ?Electric Ladyland (1968)
Com a Band of Gypsys:
•? ?Band of Gypsys (1970)
Ao vivo:
Álbum duplo Live at Woodstock (1999), em comemoração à memorável performance do guitarrista no festival.
Álbuns póstumos, coletâneas e com gravações inéditas:
First Rays of the New Rising Sun (1997)
Valleys of Neptune (2010)
People, Hell & Angels (2013)
Both Sides Of The Sky (2018)
Biografias essenciais:
Jimi Hendrix - Uma Sala Cheia de Espelhos – Autor: Charles R. Cross.
Jimi Hendrix Por Ele Mesmo – Autor: Jimi Hendrix
Documentário:
Jimi Hendrix: Live at Woodstock (1999) – Direção: Chris Hegedus e Erez Laufer
Filme biográfico:
Jimi: Tudo a Meu Favor (2014) – Direção: John Ridley
Obs. Não utilizo IA - Inteligência Artificial para escrever os meus textos para a coluna.