Por Coisas da Política
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COISAS DA POLÍTICA
Abstenção e interrogação
Publicado em 14/10/2026 às 12:22
Alterado em 14/10/2026 às 12:22
Qualquer esforço para pontear os desafios maiores que se colocam diante dos dois candidatos à Presidência da República, no segundo e decisivo turno, começa pela tentativa de construir e conquistar novo ânimo para os 33 milhões de brasileiros que se abstiveram de votar na rodada anterior. Um primeiro dado, que aflora, indicado pelas pesquisas, dá a entender que metade dos ausentes prefere continuar distante, quando chegarem as urnas do dia 25. Não se apurou, devidamente, a extensão e a profundidade desse levantamento.
Se é verdade que o primeiro turno não deixou muitas credenciais para os institutos de pesquisas, o fato é que quase todos agora coincidem na previsão da continuidade do desinteresse. Com alguma boa vontade, admitamos que não estamos diante de um engano coletivo.
Nas primeiras horas do segundo embate houve quem opinasse que o rompimento do alto nível das abstenções seria decisivo para definir a sorte da nova eleição. Mas, convenhamos, se de uma hora para outra os ausentes decidissem participar, não parece lógico aceitar que, só por isso, definiriam o futuro dos candidatos. Com certeza, entrariam em cena sem o milagre da unanimidade. De forma que as sortes de Flávio e de Lula não dependeriam, exclusivamente, dos adormecidos do dia 4. Cada um dos dois teria seu naco no bolo invisível e duvidoso.
Longe de definir os rumos das urnas, o abstencionismo seria mais útil para estudo avançado do clima de descrédito, desânimo e exaustão que se abate sobre milhões de brasileiros, sem que importe, a priori, favoritismo por A ou B.
2 – Está em curso, nos bastidores das campanhas presidenciais, animado debate sobre a conduta a ser adotada na etapa final da disputa, particularmente se convém a ambos cederem às conveniências do debate na TV. As câmeras seriam oportunas para ambos, do primeiro e segundo lugares, porque o eleitorado continua jejuno de propostas concretas e soluções objetivas para os problemas que o atormentam no dia a dia.
Apesar de os bons modos serem adequados nesta hora, não faltam os colaboradores mais duros, sugerindo linguagem agressiva, com o objeto de arranhar a pele e a alma do adversário.
Frente a um debate que se recomenda civilizado, é preciso levar em conta que tanto Lula como Flávio têm telhados envidraçados; e as pedras, da mesma forma como são lançadas, voltam no bumerangue. Melhor seria que se tolerassem diante das câmeras.
Num mundo de sensatez não há quem divirja. Os debates devem estar no campo das ideias e propostas em torno do realizável.
3 - Pode ser interpretação precipitada, embora com a evidência de alguma lógica. Mas a entrada em cena do ex-presidente Michel Temer, longe de ser uma adesão natural de expressão peemedebista, parece conferir a ele, caso Flávio seja eleito, a tarefa de abrir caminho para a pacificação das relações políticas com o Supremo Tribunal Federal.
Embora tal missão também se revelasse propícia num novo governo Lula. A extensão e a progressão da crise que se abate sobre a mais alta corte de Justiça não têm como levar a bons resultados; além de abrir poderoso abismo nas relações entre os poderes. A missão estaria bem confiada, porque o ex-presidente é jeitoso na conversa. Além do mais, é cria sua o ministro Alexandre de Moraes, a principal referência dos problemas criados.