Por Coisas da Política
GILBERTO MENEZES CÔRTES - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
Flávio aguarda a noiva, mas o padrinho não a leva ao altar
Publicado em 02/08/2026 às 07:09
Alterado em 02/08/2026 às 09:01
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Menos de uma semana depois de fazer a convenção do PL sem conseguir apresentar o candidato a vice-presidente e nem alianças com os partidos do “centrão” (PP, União, Republicanos e PSD), o senador Flávio Bolsonaro chegou a anunciar, com pompa, quinta-feira à noite, que a senadora Teresa Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, aceitara ser a vice de sua chapa presidencial. Mas a alegria do “noivo” durou menos de 12 horas.
Na manhã de sexta-feira, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi o último ministro da Casa Civil de Bolsonaro, que poderia ser “padrinho” de uma união dos partidos de centro em torno da candidatura do herdeiro do ex-presidente, com o reforço de uma senadora com trânsito no agronegócio e capaz de seduzir o eleitorado feminino, que se retraiu depois das rusgas do filho 01 com a madrasta Michelle Bolsonaro, jogou água na fervura.
Ciro, que tenta a reeleição em uma das duas vagas em disputa para o Senado pelo Piauí, onde Lula empolga mais de 65% do eleitorado, segundo as últimas pesquisas, preferiu, estrategicamente, manter o PP neutro. Como o antagonismo a Lula pode ser fatal nas eleições em seu estado natal, seu futuro político depende de não melindrar o atual presidente. O verdadeiro motivo que une o União, o PSD e o Republicanos na neutralidade da campanha nacional, assim como faz o MDB, é a expectativa de poder.
Enquanto isso, Lula fez anteontem a convenção nacional do PT, que homologou sua chapa com Geraldo Alkimin. Nos próximos dias irá solidificar as chapas do PT nos estados para reforçar seu cacife, com candidatos próprios ou de partidos coligados (como o PDT no Rio Grande do Sul).

Lula e Alckmin na convenção que confirmou as candidaturas de ambos a Presidência e vice-presidência da República, em São Paulo, nessa semana Foto: divulgação
Briga no STF reflete polarização
Inconformado pela condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro traçou como estratégia para 2026 eleger grande bancada no Senado (haverá eleição para 2/3 dos 81 mandatos). Formada maioria de 3/5 dos votos, partiria para a retaliação tentando o “impeachment” dos ministros do Supremo Tribunal Federal que o condenaram por quatro a um.
O único dos ministros da Primeira Turma do STF que o absolveu foi Luiz Fux. Estão na mira, pela ordem, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Carmem Lúcia. Além dos quatro, dos outros seis atuais, estariam na alça de mira os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e o presidente Edson Fachin. Além de Fux, os bolsonaristas são simpáticos aos ministros Nunes Marques, nomeado em 2021, e ao “terrivelmente evangélico” André Mendonça.
Os dois nomeados por Bolsonaro viraram figuras-chave de inquéritos do Caso Master e da CPI do INSS (ambos conduzidos por Mendonça), enquanto a presidência do Tribunal Superior Eleitoral está a cargo de Nunes Marques, tendo Mendonça como vice. Mendonça não conseguiu que a Polícia Federal indiciasse o filho de Lula no inquérito do INSS, por falta de provas materiais. Mas encontrou um atalho (para agrado dos bolsonaristas) para investigar possível tráfico de influência de Fábio Luís da Silva, o “Lulinha”, por hipoteticamente ter aberto portas do Ministério da Saúde a remédios à base de canabidiol, propostos pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", bem como no Serpro, braço auxiliar de processamento das contas do INSS.
Por sua vez, a Suprema Corte, dividida quanto às medidas de transparência das atividades dos ministros, propostas por Fachin, escancarou esta semana o nível de divergência entre Alexandre Moraes, que presidiu no TSE na eleição de 2022, e Nunes Marques, tendo como pano de fundo o uso da Inteligência Artificial. Sem dúvida, antes mesmo do horário eleitoral, os ministros da corte estão tomando partido.
A perspectiva de Poder
Com Lula à frente das pesquisas, exceto no Sul, onde Paraná e Santa Catarina dão grande vantagem a Flávio, e as sondagens do Norte e Centro-Oeste confirmam dianteira ao atual presidente, a disputa final seria entre os votos do Sudeste e do Nordeste. Apostar em quem está atrás nas pesquisas pode ser opção para ficar fora do poder num próximo governo. E o “centrão” vive das migalhas do Poder.
Por ora, Flávio tira boa vantagem em São Paulo, maior colégio eleitoral do país (21,48%) dos votos totais, mas Lula estaria à frente em Minas Gerais e em empate técnico no Rio de Janeiro, outrora baluarte do Bolsonarismo, o que reduziria a desvantagem em São Paulo. O diferencial da Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Piauí e Paraíba tornam Lula favorito.
Na hipótese de que haja uma média de 15% de votos nulos e em branco (restariam 85% dos votos válidos a serem repartidos entre os dois rivais), os 10 maiores estados do país concentrariam quase 80% dos votos. E os 20 maiores responderiam por quase 93% dos votos. Sem contar a abstenção, Lula estaria liquidamente à frente nos 10 e nos 20 maiores colégios. Falta o Distrito Federal. A incógnita é a abstenção, que foi de mais de 20% na eleição de 2022.