Por Coisas da Política
WILSON CID - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
O que falta na campanha eleitoral
Publicado em 21/07/2026 às 16:55
Alterado em 21/07/2026 às 16:55
A bem pensar, estivesse nossa organização político-partidária em estágio mais evoluído, a campanha eleitoral de outubro teria dado, ontem, o passo definitivo, com a abertura da temporada das convenções, que podem se estender pelas próximas duas semanas. Apenas o primeiro passo para a eleição, porque ainda falta acontecer muita coisa no emaranhado dos bastidores, antes que os partidos enviem suas atas finais à Justiça. Só então, tirante a expectativa de eventuais impugnações, bem ou mal as peças do grande jogo estarão postas no tabuleiro.
O que nos espera é um pleito com certas indagações capazes de justificar dúvidas, para não dizer apreensões. É o caso, entre outros, do quadro que se abre na corrida pela Presidência da República, que deixa a nítida impressão de que os postulantes se satisfazem com a triste realidade da polarização, serviçal indistinta 00aos envolvidos na guerra pelo poder, partam de onde partir os tiroteios. Dos nomes propostos (não se sabe sobre os que ainda possam vir), o que se tem oferecido ao eleitorado é esse estranho plebiscito sobre simpatias e antipatias, destinado a conferir ao voto nada mais que o direito de fazer opção pelo inimigo do outro... Não a opção por quem parecer mais qualificado, o que lamentavelmente se afigura secundário; mas votar no adversário de quem não se deseja. Não é outra coisa o que vem sugerindo o discurso das pré-candidaturas. Voto contra, não a favor.
(Ser a favor só por odiar quem está do outro lado. Aliás, não seria coisa nova entre nós. Seis décadas passadas, em conversa amistosa com Tancredo Neves, Jânio Quadros já advertia: “meu caro Tancredo, atente para o fato de que o povo não gosta de amar; gosta é de odiar”).
O clima de hostilidades, não raro avançando sobre questões de natureza familiar, empobrece o desejável debate sobre temas que são do interesse geral. Estamos correndo o risco, neste tempo eleitoral, de não sentir brotar ideias inovadoras frente a uma sociedade que reclama abertura de novos horizontes. Apenas para lembrar uma das questões mais agudas, o fenômeno sociológico que alterou conceitos de maioria e minoria na sociedade. As mulheres e os negros não mais constituem minoria, tornaram-se maioria da população. O que os candidatos têm a dizer sobre isso, além das velhas e cansadas falsas promessas eleitoreiras? Já não são mais os indigentes das estatísticas; e os candidatos e seus partidos não se mostram sensíveis.
2 – O povo e seu voto também não podem estar alheios aos desafios que surgem no campo das relações do Brasil com países de estreita convivência. Nem se fala no governo dos Estados Unidos, porque quanto àquele os desencontros devem cessar ou diminuir, tão logo se conheça a sucessão presidencial, na qual os americanos têm preferência bem definida. Trump não passaria o resto da vida de cara amarrada se as urnas não lhe forem simpáticas. ...
Afora os americanos, a campanha devia conferir justo espaço para o eleitor mostrar como deseja ver o país posicionado frente às realidades da geopolítica. Nós e o resto do mundo; nós e as diferenças em relação à América Latina, à qual estamos ligados de corpo e alma; nós e as civilizações orientais, pois delas importamos muito da nossa cultura, como atesta o sangue que corre nas veias de milhões de descendentes, que têm o título eleitoral à mão. É outra realidade que não pode passar em branco, quando vai chegando a hora de definir rumos.