Por Coisas da Política
GILBERTO MENEZES CÔRTES - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
Tarifaço começa dia 22, número de Flávio na urna
Publicado em 19/07/2026 às 07:09
Alterado em 19/07/2026 às 08:52
Flavio Bolsonaro e Marco Rubio tramando o 'tariflávio': e a culpa é 'do Lula' Foto: reprodução
Não adianta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fazer contorcionismos para atribuir a responsabilidade do tarifaço de 25%, imposto pelo USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos), do governo Trump, a mais de 4 mil itens exportados pelo Brasil aos EUA, ao presidente Lula.
As digitais do candidato, que apoiou as medidas em junho do ano passado, quando Trump exigiu, pela sua rede social, "IMEDIATAMENTE", a suspensão do processo contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, estão presentes na própria data em que começa a contagem do tarifaço: 22 de julho.
Isso vai reavivar, na hora da votação na urna, em 4 de outubro, quem é, de fato, o instigador de medidas lesa-pátria contra o Brasil, pois o número do candidato do PL é 22.
A responsabilidade política é toda do clã Bolsonaro, que, capitaneado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, eleito pelo PSL em 2018, sentou praça no PL em 30 de novembro de 2021.
Exceções não alteram as regras
Como em todos os tarifaços já ensaiados pelo governo Trump (o primeiro, de âmbito global, valeria a partir de abril de 2025, mas foi recuado diante do efeito bumerangue), há um prazo efetivo para que os importadores locais dos produtos desembarcados nos portos e aeroportos americanos paguem as novas tarifas. Isso exclui os produtos que estão em trânsito, por navios.
De outra parte, na economia globalizada que o presidente americano quer destruir em favor do MAGA, a indústria e o setor de serviços dos Estados Unidos dependem dos insumos importados. Por isso, por dependerem dos "chips" e terras raras fornecidas pela China, o rugido inicial de leão contra Xi Jinping se transformou em miado, com recuos gerais e negociações caso a caso.
Em agosto-setembro do ano passado, diante das pressões inflacionárias, a partir do café da manhã, os EUA foram abrindo isenções pragmáticas a produtos brasileiros, como resultado das negociações de representantes empresariais e governamentais dos dois países. Depois, a própria Suprema Corte americana derrubou o tarifaço.
Mirando no Brasil
Mas a mira "na cabecinha" do Brasil, como diria o ex-aliado, ex-governador Wilson Witzel (PSL-RJ), que sofreu "impeachment" na Alerj, em 2021, foi instigada pelo clã Bolsonaro, representado nos EUA, desde fevereiro de 2025, pelo filho 03, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que perdeu o mandato por excesso de faltas, enquanto tramava contra a pátria junto ao Departamento de Estado chefiado por Marco Rubio, e o economista Paulo Figueiredo, neto do último ditador brasileiro, general João Figueiredo.
A ambos, em duas ocasiões, Flávio Bolsonaro se juntou, em Washington, para tramar contra o Brasil. Em maio, depois de despencar nas pesquisas após as revelações de sua intimidade com Vorcaro [por sinal, esta semana, foi divulgada foto descontraída do senador, sem camisa, feita em 2022, ao lado do "sicário" de Daniel Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão, que teria se suicidado em cela da Polícia Federal em março deste ano, indicando que os contatos seriam anteriores a 2024, como alega], para defender, ao lado de Trump, o tarifaço, negociações com o Pix e a inclusão do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Ante a repercussão negativa, voltou em julho ao Departamento de Estado, depois de pedir, em carta ao USTR, para que os Estados Unidos suspendessem o tarifaço por três meses, “para não beneficiar Lula”, e aproveitou para municiar o secretário Marco Rubio contra o Brasil. Isso explicaria a grosseria do ataque ao “ego” de Lula pelo secretário de Trump, o maior dos ególatras.
Assim, na prática, os impactos nos consumidores americanos (que, no fundo, vão receber produtos remarcados pelas novas tarifas) fica para agosto.
Impactos do tarifaço na reta final
Ou seja, o noticiário sobre os impactos do tarifaço – não só pela ótica das perdas de empresários e trabalhadores brasileiros dos setores mais atingidos (que se concentram em São Paulo, o estado de maior pujança econômica e de mais peso no colégio eleitoral), além das notícias vindas dos EUA - vai coincidir com a abertura da janela para que os partidos políticos confirmem suas chapas para a eleição presidencial e para os demais cargos em disputa este ano.
Nesta segunda-feira, 20 de julho, começa a contagem regressiva para a definição das chapas, cujo prazo se encerra em 5 de agosto.
Os impactos políticos dos noticiários negativos que se abateram sobre o candidato do PL desde 13 de maio, quando o site “Intercep Brasil” divulgou suas conversas de “irmão” com Daniel Vorcaro, para cobrar do então dono do Banco Master, que já tinha adiantado R$ 61 milhões, o restante dos R$ 134 milhões previstos para o filme “Dark Horse”, o “Azarão”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, são devastadores. E refletem nas pesquisas eleitorais
A ironia do calendário
Não é devaneio ou mera especulação de alguns analistas políticos a suposição de mudança brusca na chapa do PL até 5 de agosto.
Aos sucessivos revezes de Flávio Bolsonaro, como o cerco da Polícia Federal a aliados políticos no Rio de Janeiro e outros estados ligados ao crime organizado (ironia, além das milícias, há vinculações ao Comando Vermelho e ao Terceiro Comando Puro, ainda não considerado “terrorista”) se somam os riscos da audiência marcada para o dia 28 de julho pelo ministro Alexandre de Moraes, no STF.
Trata-se do julgamento de crime de calúnia contra o presidente Lula, a quem acusara de ligações com o narcotráfico. Os casos geram a expectativa de que o senador, - ameaçado de derrota para Lula – tente manobra radical para evitar a retomada das investigações sobre a prática de “rachadinhas” de salários de nomeados em seu gabinete na Alerj.
O mandato de senador de Flávio Bolsonaro está valendo até 31 de janeiro de 2026. Foi por ter sido eleito senador, em 2018, e o pai presidente da República, que Jair Bolsonaro mexeu céus e terras para trancar as investigações e anular as provas de saques e depósitos em caixas eletrônicos colhidos pelo Ministério Público e a Polícia Civil do Estado Rio de Janeiro, e passar o exame à instância superior. O governo estadual, sob intervenção do presidente do Tribunal de Justiça do ERJ, desembargador Ricardo Couto, não deixa espaço a manipulações políticas dos aliados
O caso das “rachadinhas” motivou as desavenças que levaram ao “impeachment” de Witzel. Também custou a demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança de Bolsonaro, em 23 de abril de 2020, porque a Polícia Federal estava reabrindo o caso.
Flávio, se for eleito, promete o indulto ao pai, Jair Messias Bolsonaro, que está cumprindo pena de 27 anos em prisão domiciliar – quase suspensa pela mal explicada divulgação da “Carta aos brasileiros”, lida por Flávio em redes sociais. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, adiantou que o indulto poderia ocorrer em janeiro.
Entretanto, em caso de derrota, Flávio Nantes Bolsonaro perde a imunidade a partir de 1º de fevereiro. Se as chances de derrota crescerem, é plausível que busque a proteção de um novo mandato no Senado ou na Câmara dos Deputados.