Por Coisas da Política
WILSON CID - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
Enfim, o tempo eleitoral
Publicado em 07/07/2026 às 09:21
Alterado em 07/07/2026 às 18:21
Mal começado o ano, sem se permitir ignorar o que seria mais importante no calendário, não houve quem negasse a prioridade das eleições de outubro. Tanto assim, que logo setores competentes começaram a cobrar dos partidos e de suas lideranças que dessem mãos à obra, com propostas programáticas e soluções engenhosas para os grandes problemas do país; e que, em nome dos interesses nacionais, abraçassem essa causa, antes mesmo de serem conhecidos os postulantes à Presidência da República e à governadoria dos estados. Porque, já em janeiro, seria conveniente abrir logo à discussão tais plataformas, de maneira que os candidatos que viessem saberiam o acervo das questões a serem ajustadas aos seus ideários e às suas intenções junto ao eleitorado.
Pois bem, acabou prevalecendo um velho comodismo, segundo o qual, não tem cabimento, nem faz sentido, tratar de eleições antes do carnaval, uma quadra caracterizada, marcadamente, pela singular competência de passar por cima das coisas sérias. Depois, a oportunidade do discurso foi novamente adiada, porque chegaria a Semana Santa, outro divisor importante do calendário, tempo destinado a reflexões sobre a Paixão, embora, na verdade, transformada por milhões em temporada de ócio à beira do mar. Como destinar tempo para as eleições? Nem pensar.
Neste ano, também haveria de concorrer a Copa do Mundo, dona de fervoroso sentimento nacional, outro motivo para protelar conversas sobre as eleições. Mas, antes delas, um assunto de que devíamos estar cuidando há mais de ano: o verdadeiro projeto nacional que nos falta, sempre relegado às improvisações, refém do temperamento dos governantes, das conveniências e visões pessoais sobre os caminhos a seguir.
Restando três meses para as eleições majoritária e proporcional, não nos resta tempo para dar trato a essa questão tão relevante, o projeto nacional. Seria pedir muito. Mas os partidos e os candidatos já fariam algo se nos dissessem, nos palanques que começam a ser montados, o que pensam sobre tal prioridade, eternamente relegada com impatriótica devoção.
Sem o jogo desigual
Na história dos avanços e retrocessos da legislação eleitoral brasileira há duas conquistas de valor incontestável. A primeira, adotada com base em experiência de De Gaulle, na França, foi a adoção do segundo turno para eleição majoritária em que os principais candidatos não alcancem maioria. Muito importante, porque, na disputa que ficou restrita a dois favoritos, dá-se o direito de participação de eleitores que, na votação anterior, preferiram candidatos relegados.
A segunda conquista, não menos digna de ser preservada, trata do impedimento de candidatos que ocupam cargo público executivo de promover, com três meses de antecedência, a inauguração de obras realizadas ou prometidas. Permitir festas dessa natureza seria a celebração de vantagem sobre os demais concorrentes, injustiça que se torna maior quando se sabe que é fazer festa com dinheiro de impostos.
No último sábado expirou o prazo para essa distorção, não sem o protesto dos candidatos que gozariam dos eventos inauguratórios, entre os quais o próprio presidente Lula, para quem a restrição é mera palhaçada... Goste ou não goste, é o mínimo que se pode fazer para limitar desigualdades entre os que correm em raias paralelas, com o mesmo objetivo.