Por Coisas da Política

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COISAS DA POLÍTICA

O que falta nessas convenções?

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Publicado em 30/06/2026 às 15:37

Alterado em 30/06/2026 às 15:37

Donald Trump Donald Trump – Reprodução vídeo do Instagram


Amanhã (quarta, 1/7) começa o mês das convenções partidárias, com prazo para se processarem entre o dia 20 e 5 de agosto. Muito importantes, porque sem elas o sistema eleitoral não admite candidaturas. O que significa ser, efetivamente, a abertura da temporada de caça aos votos, com todos os postulantes formalmente lançados.

Tempos idos, sempre havia alguém defendendo a adoção do voto avulso para o candidato sem qualquer filiação partidária, acima de convenções. Mas a ideia era logo abandonada, e os partidos, diretamente interessados, cuidavam de sepultar a novidade; e com eles acabava concordando a Justiça, temerosa de que, acima do desejável direito de o voto optar por qualquer cidadão, corria-se o risco de a apuração resultar em imensa confusão, pois seriam milhões de candidatos...

Mas essas assembleias partidárias continuam distantes do que seria ideal. A começar por um defeito evidente, que ninguém pode negar: a finalidade de reunir convencionais tem apenas a intenção de garantir quórum para decisões já tomadas em gabinetes, onde se formatam interesses de grupos e predomina a vontade de poucos, os caciques, que decidem. E esta é uma realidade da qual fazem parte todas as agremiações políticas.

A escolha dos candidatos é algo semelhante ao prato feito, servido de acordo com a vontade dos donos da festa, que também impõem o cardápio das alianças, muitas vezes intragáveis, de difícil digestão. O convencional assiste à encenação, bate palmas e homologa, para só ser chamado dentro de dois anos, quando de nova eleição.

As convenções, diferentemente do que se vê, deviam ser periódicas, para que os filiados influíssem na gestão e no destino dos partidos, não apenas como peça validativa em ano eleitoral.

Entendendo Trump
Não só no Brasil, em qualquer lugar do mundo civilizado encarregados dos negócios externos de seus países vivem maus momentos para analisar e entender Donald Trump; porque nunca se sabe se o que ele diz, repetidamente, é parte de meros desejos pessoais, ou se, de fato, seu país cultiva delírios expansionistas, para mandar em tudo e em todos. Pode ser isso, a se julgar pela frequência como o presidente avança em incursões totalmente fora dos padrões da diplomacia.

Ora, se este é um cenário que se espalha mundo afora, não haveria de ser o Brasil exceção. Também aqui incomoda esse internacionalismo, já não apenas por ter a Casa Branca definido como terrorismo o nosso crime organizado, sob a alegação de que a bandidagem nacional é mais perigosa, por ser tragédia exportável, vai além das fronteiras. Uma conceituação discutível.

Mas as preocupações naturalmente se dilatam quando Washington insinua particular interesse no destino da eleição presidencial brasileira. Cabe uma interpelação, pela via do Congresso Nacional, para que Trump ou seus assessores informem se se trata apenas de simpatia por um dos candidatos, o que seria tolerável; ou, na contramão, têm real intenção de interferir no processo.

Temos direito de saber, com interlocução séria e respeitosa, não com bravatas de falso nacionalismo de palanque eleitoral e bazófias. O caminho adequado é a Comissão de Relações Exteriores do Senado. Sem tardança, porque a eleição já vai bater à porta.

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