A casa de Flávio não caiu com a rachadinha; cairá com a rachadura de Vorcaro do Master?

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Como na história de “Os Três Porquinhos”, a casa do senador (PL-RJ), Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente, resistirá a novo sopro do Lobo Mau?

Vale dizer, resistirá à devastadora revelação, pelo site “Intercept Brasil”, de seus apelos em recados telefônicos a Daniel Vorcaro para aportar os recursos prometidos pelo então banqueiro aos trabalhos de conclusão do filme “Dark Horse”, rodado nos Estados Unidos sobre a vida de Jair Bolsonaro?

Nas “rachadinhas”, o pai o salvou.

(O então deputado estadual do PSL-RJ, Flávio Bolsonaro, ficou seriamente ameaçado quando veio à tona, no final de 2018, o escândalo das “rachadinhas” dos salários dos lotados em seu gabinete da Alerj, em operações conduzidas pelo assessor Fabrício Queiroz, que desviaram milhares de reais para os bolsos do filho 01)

Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República e o filho, senador.

Com o poder nas mãos, o clã moveu céus e terras para barrar a investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e do Tribunal de Justiça do RJ. Com o mandato de senador, o caso saiu da primeira instância e as provas dos saques e depósitos foram anuladas.

E, em reunião ministerial de 22 de abril de 2020 (em plena pandemia), o pai ameaçou “trocar dirigentes da Polícia Federal e até o ministro”, (...) para “não foder (sic) minha família e meus amigos”. No dia seguinte, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, pediu demissão e o caso ficou congelado.

Cenário muda com a prisão
Após a derrota eleitoral em outubro de 2022, o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão (no momento, em casa) pelas articulações do golpe, o que resultou nas depredações das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

O candidato do mercado era Tarcísio de Freitas
O mercado financeiro tinha escolhido o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, eleito em 2022 pelo Republicanos e articulado com o PSD, de Gilberto Kassab, que era seu secretário de governo, como o nome preferido pela classe empresarial para enfrentar Lula.

Quando as conversas de Flávio Bolsonaro com Vorcaro vieram à tona, o Ibovespa caiu e o dólar disparou. Hoje há muita expectativa.

Uma questão de sangue
Mas o clã Bolsonaro, que moveu céus e terras para pressionar o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal, usando até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tarifar o Brasil e salvar a pele de Jair Bolsonaro, só confia no primogênito. Flávio Bolsonaro é o único nome no qual o pai confia que lhe indultaria, se eleito.

Assim, ele foi lançado, em novembro, pelo pai, a candidato do PL a presidente nas eleições de 4 de outubro de 2026.

Flávio Bolsonaro se apresentou ao PL, presidido pelo deputado federal Valdemar Costa Neto (PL-SP), e que tem Jair Bolsonaro como “presidente de honra”, como uma candidatura sem arestas, fora as “rachadinhas” e as nebulosas transações com o Banco Regional de Brasília (que esteve para ficar sob controle do Banco Master) para o financiamento de R$ 6 milhões à sua mansão em Brasília.

Nada disse sobre as relações com Daniel Vorcaro, o que agora desnorteou o PL, a direita e o mercado financeiro. Por não ter se desincompatibilizado e continuado no governo, como candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas está impedido de ser o plano B.

A cronologia da mentira
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central, por insolvência e espetar prejuízos de mais de R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), bancado pelo sistema bancário, na captação a rodo de CDBs com juros acima do CDI, além de vender bilhões em papéis sem lastro ao BRB.

Na mesma manhã do dia 18, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, quando tentava embarcar para Dubai, com escala no paraíso fiscal de Malta, ilha do Mediterrâneo.

Mas na véspera, dia 17, enquanto Vorcaro se virava nos 30 para cobrir os rombos bilionários do Master e espalhava a notícia, com “press release”, de que o grupo Fictor entraria no capital do Master, assim como o Fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, o senador fazia insistentes ligações a Daniel Vorcaro cobrando o prometido aporte de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões ao câmbio da época) para a finalização do filme “Dark Horse”, produzido nos Estados Unidos para estrear no Brasil em setembro, às vésperas das eleições, contando a saga do clã Bolsonaro.

A ficção do Master se desfez
O grupo Fictor, que aportaria R$ 3 bilhões no Master, entrou em liquidação da parte financeira, e pediu recuperação judicial depois que teve R$ 50 milhões bloqueados judicialmente por credor que cobrava dívida na Justiça.

O Mubadala jamais confirmou a negociação.

E o próprio senador Flávio Bolsonaro pedia desculpas, mesmo sabendo das dificuldades de sobrevivência do Master, de estar cobrando a promessa de aporte de Vorcaro, alertando que os produtores do filme poderiam abandonar a empreitada por falta de pagamento. Pode ter havido evasão de divisas no financiamento do filme.

Flávio deve explicações
Ao ser abordado na manhã dessa quarta-feira (13), em uma cerimônia, por um repórter do site “Intercept Brasil”, o senador reagiu rispidamente. Disse que ele (o repórter) é “ativista e não jornalista”, e deu uma gargalhada, mas fugiu da imprensa.

Ante a péssima repercussão do fato e das declarações, como as do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, que classificou as revelações como “um tapa na cara dos brasileiros de bem”, e do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD, que pediu aprofundamento das investigações, Flávio Bolsonaro mudou de tática.

Assim como recuou na ideia de ter o senador Ciro Nogueira (presidente do PP) como vice de sua chapa, após vazarem ações de Nogueira com Vorcaro, Flávio Bolsonaro, que comemorara com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o arquivamento da CPMI do Master, no final da tarde, mudou de postura e, depois de dizer que negociava apoio privado a um filme sem recursos públicos, pediu a retomada da CPMI do Banco Master, para “separar mocinhos e bandidos”.

Presidente da CPMI pede reabertura
À noite, em debate na CNN, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) revelou já ter protocolado a reabertura da CPMI, diante dos fatos novos.

Mas ele, que também era presidente da CPMI do INSS, encerrada por cumprir 60 dias desde a instalação, insinuou que deve pedir sua retomada.

Ninguém é santo
Antes que o ex-governador Romeu Zema, que já ganhou pontos nas pesquisas eleitorais ao criticar o STF, e agora tenta galgar mais uns degraus nas próximas pesquisas, pose de paladino da moralidade e dê lições de austeridade fiscal (com calote no governo federal), seria bom que ele explicasse por que a Zema, financeira da família, cobrava juros de 315,28% ao ano...

Os dados de um levantamento do Banco Central, entre os dias 22 e 28 de abril sobre as taxas de juros no crédito pessoal não consignado, punham os juros da Zema como o 15º mais caro entre 79 bancos e instituições financeiras.

A maior taxa era da Valor financeira (963,74% ao ano), e a vice-campeã era a Crefisa (908,18% ao ano) da patrocinadora do Palmeiras, vice-campeão do Brasileirão e da Taça Libertadores 2025, títulos vencidos pelo Flamengo.

Jornalismo é reportagem
Neste episódio, como nas revelações da Vaza-Jato, o jornalismo do “Intercept Brasil” mostrou como é importante o jornalismo investigativo.

Em tempo em que telejornais e rádios se deixam levar pelo cômodo jornalismo do “release” ou do B.O. (Boletim de Ocorrências) de furtos, mortes e violência no trânsito, que são notícia, mas não mudam o quotidiano, cabe valorizar o cerne do jornalismo: a investigação. Em todos os campos.

Os 50 anos de um repórter
Por sinal, nesta quinta-feira, a partir das 18 horas, a jornalista Elenilce Bottari apresenta na ABI a saga de um dos maiores jornalistas policiais do país, Luarlindo Ernesto, no livro “Luar: O Último Repórter dos Anos de Chumbo”.

Antes da tempestade
Antes do tempo esquentar em Brasília, na solenidade de 200 Anos da Câmara dos Deputados, no dia 6 de maio, chamou a atenção a presença do ex-presidente Michel Temer, também ex-presidente da casa. Só um integrante do MDB o acompanhou: o ex-deputado federal Darcísio Perondi. Temer achou ótimo. Antes só que mal acompanhado?

O aliado do PDT
O PDT Nacional indicou o ex-presidente nacional do MDB e ex-deputado federal Marcelo Barbieri para ser o coordenador da campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Depois de 50 anos no MDB, Barbieri filiou-se ao PDT. Ele é da cozinha de Temer e de José Sarney, seu padrinho de casamento.

Barbieri está cotado para ser vice na chapa de Haddad ou suplente de Simone Tebet ao Senado Federal.