Por Coisas da Política
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COISAS DA POLÍTICA
O limite das pesquisas
Publicado em 21/04/2026 às 15:38
Alterado em 21/04/2026 às 15:38
Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Carlos Moura/SCO/STF
Em véspera das convenções partidárias, que cuidarão de receber e homologar candidatos a cargos eletivos, o recém-empossado presidente do TSE, ministro Nunes Marques, fica frente a escasso tempo para adotar medidas, ainda não tomadas, mas necessárias para conter problemas num pleito de dimensão nacional, que está para chegar dentro de vinte semanas. Se o tempo é curto, impõe-se, então, uma seleção de ações prioritárias, entre as quais, ousaríamos lembrar, cabe preservar o voto de influências maldosamente arquitetadas na undécima hora da votação. Aquelas que saem da cama com o eleitor e o seguem para o cumprimento do dever. É o caso de se rever essa e outras deformações no calendário das pesquisas ou enquetes durante as campanhas, distanciando-as o necessário das urnas.
Se admitidas, e até benéficas, o Tribunal e seu presidente deviam tomar em conta que elas não podem ser colocadas a serviço de interesses, mormente quando se processa uma disputa presidencial sob o calor da polarização e da radicalização, como a que se aproxima. Nesse contexto, pesquisas sobre tendências do eleitorado revestem-se de total inconveniência, se realizadas nas poucas horas que antecedem a votação; pior, se no mesmo dia. A razão é facilmente assimilada, se a corrida entre os adversários se distanciar por pequenas diferenças. É quando o eleitor, mesmo contrariando suas preferências, é induzido a deixar-se influenciar por candidaturas de possibilidades encomendadas. Torna-se vítima de um falso orgulho de só votar em quem parece que vai ganhar... Há especialistas capazes de construir maldosamente esse tipo de embuste.
Objetivamente: se elas ou as enquetes têm utilidade para revelar a realidade no campo das disputas, sem ofender a dignidade de quem vota, convém que avancem, no máximo, até os três dias antes da eleição. Porque, chegada a hora, as pessoas devem estar recolhidas apenas à consciência cívica, longe de interferências materiais ou psicológicas. Nada mais, nada menos que isso.
(É justo cobrar perfeição absoluta no procedimento eleitoral, não apenas porque esse tribunal custa mais de R$ 12 bi aos cofres da União, mas por ser o único do gênero no mundo. Um luxo com obrigação de mostrar eficiência).
2 – Outubro há de resultar em outro pesado desafio para o Superior Tribunal Eleitoral, porque, além de suas responsabilidades, tem o dever de figurar como honrosa exceção na atual crise de um Judiciário que rompeu com o respeito da nação, desceu a constrangimentos impensáveis, vê ministros do Supremo Tribunal comprometidos com desvios de conduta, além de impor a seu presidente, Édson Fachin, a humilhante confissão de um abalo moral em curso.
O TSE tem de mostrar que os tribunais são algo mais que cabides de penduricalhos e casas de ajuste de interesses.