Por Coisas da Política
WILSON CID - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
A ditadura das sanções
Publicado em 14/04/2026 às 12:20
Alterado em 14/04/2026 às 12:20
Ninguém sabe – ou se sabe não revelou – quais seriam os caminhos seguros para se praticar a remodelação da Organização das Nações Unidas, que perde prestígio e credibilidade toda vez que o mundo mergulha num impasse ou faz nova guerra. Como agora, o Oriente Médio convulsionado, pronto para estender o impasse do Irã a vários países, entre outros direta ou indiretamente implicados. O Brasil faz parte dos membros mais preocupados, porque, sabe bem nossa diplomacia, a ONU já deu sobejas provas de fraqueza, incapaz de unir os povos e oferecer perenes garantias à paz; e nisso rompe com os ideais que inspiraram sua criação 81 anos atrás.
Talvez uma reforma substancial, como querem alguns, deva começar pelo Conselho de Segurança, proposta que há anos também goza da simpatia brasileira. Aqui, como em outras partes do mundo, denuncia-se hoje, como em outros tempos passados, que o Conselho acabou destinado ao papel de clube de poderosos, cinco sócios efetivos, sempre os donos dos interesses que levam às lutas. Quem desfruta de tamanhos poderes deles não quer abrir mão. Por que acabar com o grande privilégio?
O Conselho é permanente refém dos votos e vetos dos Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França. Não é fácil esperar concessões dos condestáveis, que definem a geopolítica que a eles se curva nos momentos mais graves. Os conflitos da atualidade estão repletos de crimes contra princípios civilizatórios, que, na bela sede de Nova York, acabam em longos e enfadonhos discursos formais. Se tanto.
2 – Ganhar e consolidar a convivência pacífica no mundo é, pois, o primeiro e mais importante objetivo da Organização adormecida. Contudo, tirante o constrangimento do Conselho de Segurança, resta outra via a desbravar; e o próximo governo do Brasil, a eleger-se em outubro, devia abraçá-la com vigor, convocando outros 180 integrantes a uma efetiva participação. Trata-se de eliminar a ditadura cruel das sanções econômicas, que pouco diferem dos verdadeiros crimes contra a humanidade. A aplicação dessas penalidades, vulgarizadas no governo Trump, levam fome, afasta investimentos, congela ativos, amplia desemprego, miséria e crime. Tornam-se, em paralelo, armas cretinas à disposição dos poderosos, que usam esse castigo para justificar o sacrifício a que condenam as populações que governam. Aplicadas as coerções ( o primeiro sofrimento pesa exatamente sobre o povo), sacrificam-se populações inteiras, ao mesmo tempo em que que, elegendo-se como vítimas, os maus governos têm o argumento de que precisam para justificar sua inépcia. Os ditadores, por exemplo, usam as sanções para se aclamarem alvo de perseguições. Dizem e repetem que nada podem fazer por causa das sanções.
Vê-se, agora, em Cuba, que soma, entre suas tragédias, a carência de energia, além da ameaça de ver Trump pronto a desembarcar na ilha.
(Já se disse, com base num princípio aristotélico, que não basta a afirmação de certa coisa para se negar uma outra. Dar razão aos que deploram a ditadura de Cuba não justifica aceitar os que submetem o povo a terríveis carências).