Por Coisas da Política
WILSON CID - [email protected]
COISAS DA POLÍTICA
Mulheres mal protegidas
Publicado em 24/03/2026 às 16:09
Alterado em 24/03/2026 às 16:09
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Por força de um assustador crescimento dos casos de violência contra a mulher, tendo o feminicídio como o ápice na escala das gravidades, surgem ideias diversas sobre formas de contenção do mal, sendo farta e volumosa a criatividade do Congresso, onde se acumulam projetos inúmeros, todos evidenciando a preocupação só com o problema consumado; a mulher já com agressão sofrida. Pouco em relação a resultados preventivos, tentar conter as tragédias antes que elas aconteçam.
A lei 11.340, que se celebrizou como ”Maria da Penha”, passou pela maioridade, acaba de completar 20 anos, e a violência não apenas progrediu, como ganhou foros de uma crueldade nunca vista. Peço licença para opinar que à coleção de ineficácias juntam-se, agora, o direito de a mulher ter na bolsa o spray de pimenta para cegar, momentaneamente, o agressor, que depois volta mais raivoso para o revide. Outra reação de duvidoso resultado está na lei que manda o malvado andar de tornozeleira. Depois que bateu.
A primeira dificuldade sobre medidas preventivas revela estatística verdadeiramente perturbadora: 63% dos casos de agressão, seja física ou psicológica, ocorrem no âmbito doméstico, dentro de casa, no universo dos conflitos entre marido e mulher, incluída aí a tortura da violência vicária, que transforma os filhos em instrumentos da guerra, dos escombros de agressões e separações. Como esperar que alguém bata à porta, na hora certa, para socorrer?
O que tem faltado na pauta dos legisladores e dos estudiosos dessa matéria é a efetiva preocupação com a educação das novas gerações do homem, que precisa atentar para o fato de que, em meio século, a mulher passou a dividir com ele os destinos da sociedade. Não existe mais atividade masculina que não possa compartilhar espaços com a população feminina, sob o império das igualdades. Começa pela Constituição de 88, onde direitos e deveres da família estão perfeitamente definidos em mesmíssimas partes.
Educar para sepultar os ciúmes e os orgulhos do machismo atrasado.
(Os violentos, estejam onde estiverem, precisam ligar a TV. Verão que a mulher joga futebol, luta boxe, prende e solta, constrói, cria e empreende, comanda, legisla e faz obedecer. Homens mal formados têm nisso uma terrível humilhação. Precisam ser educados para a nova realidade).
Salvo excepcionalidades de ordem psicológica, a violência que se pratica contra a mulher é resíduo do machismo selvagem, só vencido quando o companheiro entender que ela não é uma propriedade sua, dela não é dono. Derrubar isso demanda educação, tal como se viu em sociedades mais evoluídas, onde se bate muito menos, raramente se mata.
Cai fora, Trump!
É conhecido o conselho do senador democrata Frank Church ao presidente Lyndon Johnson, quando os Estados Unidos procuravam um jeito de sair do Vietnã, com alguma decência. “Anuncie que ganhamos a guerra, e cai fora depressa”, disse ele.
Um amigo zeloso talvez diga o mesmo, hoje, para Donald Trump – Get out! -, à caça de um bom motivo para sair do conflito no Oriente Médio, que o desgasta, causa inflação, encarece o petróleo, e abandonado pelos europeus, com quem pretende dividir responsabilidades. Além de colocar em risco seu prestígio na eleição parlamentar do fim de ano.
A história universal das guerras escreve duas lições jamais desmentidas. A primeira: é muito fácil entrar nelas e muito difícil sair delas. Outra lição é que sempre terminam por onde não deviam sair – na paz.