Jornal do Brasil

Cidades Inteligentes

Cidades Inteligentes

Ricardo Salles

Estruturação da saúde pública

Jornal do Brasil RICARDO SALLES, ricardosalles@asmprojetos.com.br

A construção do conceito de uma cidade sustentável passa pela estruturação da saúde pública. Sabemos que o SUS – Sistema Único de Saúde é muito eficiente, porém carece de inteligência.

Comunidades que cuidam bem de sua população conseguem gerar melhores resultados em diversas áreas. Hoje são realizados mais de 2 milhões de partos por ano no SUS e 190 milhões de brasileiros são beneficiários do sistema.

Somos um país com dimensões continentais e necessidades das mais variadas. Chegamos até aqui com resultados ótimos no SUS, porém precisamos continuar avançando e para avançar precisamos embarcar mais tecnologia e ajustar a legislação às novas realidades. A coleta de mais dados referentes a saúde dos cidadãos é urgente, o tratamento destes dados fundamental com a disponibilização das informações ao médico, seja das unidades públicas ou privadas o que aumenta bastante a assertividade e velocidade dos diagnósticos.

A parte legal está tecnicamente coberta com a Lei Geral de Proteção a Dados - LGPD, e avançar na obrigatoriedade do compartilhamento de exames em uma base de dados do SUS é importante para que qualquer médico consiga saber sobre a vida de um cidadão que chega para ser atendido, seja por uma simples gripe ou mesmo um grave acidente.

Com estes dados dos pacientes, um grande banco de dados deve ser alimentado para que sistemas de inteligência artificial possam analisar e comparar dados apontando tendências. Em pouco tempo poderemos ter indicadores que vão auxiliar de forma bem mais assertiva as políticas públicas.

A medicina tem avançado na criação de medicamentos específicos para cada ser humano, somos indivíduos com características similares, porém específicas. Para criação de medicamentos específicos precisamos de mais dados dos pacientes. Hoje relógios e pulseiras inteligentes já ajudam na captura destes dados no dia a dia. Estes dados podem ser enviados diretamente ao SUS e gerar alertas em tendências de emergências, tais como pressão alta, anomalias cardíacas detectadas em eletrocardiogramas, e até mesmo indicação de possível infarto do miocárdio.

Vamos a um pequeno exemplo, porém importante. Na Suécia quando medicado, o paciente pode ir a qualquer farmácia buscar seu medicamento e não há necessidade de receituário pois está tudo registrado no sistema. Isso é eficiência que gera redução do custo da máquina pública. Há ainda uma proteção referente a estas despesas, o cidadão paga até R$1.370,00 por ano, como teto, daí para frente o custo é do governo. Guardando as diferenças econômico-sociais onde a Suécia tem renda per capita de R$300mil e o Brasil R$50 mil, mal comparando, o teto poderia ser de algo em torno de R$150,00 ano para o brasileiro.

Veja, cidades inteligentes geram sustentabilidade, favorecendo a diminuição de gastos públicos desnecessários que geram sobra de caixa para retornar à população melhores condições de vida.

Já pensou como seria a vida destes mais de 2 milhões de brasileiros que nascem por ano no SUS se monitorados e tendo seus dados registrados e analisados pelo Big Data do SUS?

Gosta do tema? Quer propor ou sugerir ações de infraestrutura que nos ajude a sair desta crise? Quer sugerir algum tema? Envie um e-mail para ricardosalles@asmprojetos.com.br