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Ricardo Salles

Coronavírus - Mais um alerta para o cuidado com ar interior

Jornal do Brasil RICARDO SALLES, ricardosalles@asmprojetos.com.br

Estamos diante de uma grave crise mundial onde a OMS - Organização Mundial de Saúde já alterou a classificação do coronavírus de moderado para alto. Este vírus, assim como outros, são transmissíveis pelo ar. Daí a grande vulnerabilidade para o ser humano. Uma recomendação na prevenção, na página da OMS é que as pessoas usem máscaras, máscaras estas que já estão sumindo das lojas devido a grande procura.

Conversei nesta quarta-feira com o Dr. Alexandre Chieppe, médico da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. “Os vírus, assim como o 2019-nCoV – Coronavírus, tem a sobrevivência prolongada em ambientes frios e secos, justamente os proporcionados por ambientes com ar condicionado”, afirma o infectologista do Governo do Rio.

Os médicos da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr. Leonardo Weissmann, Dra. Tânia do Socorro Souza Chaves, Dr. Clóvis Arns da Cunha e Dr. Alberto Chebabo, prepararam um documento onde informam que “os casos suspeitos devem ser mantidos em isolamento enquanto houver sinais e sintomas clínicos. Paciente deve utilizar máscara cirúrgica a partir do momento da suspeita e ser mantido preferencialmente em quarto privativo.” Aqui vale destacar que um número importante de clínicas e hospitais não tem áreas específicas para isolamento, nem mesmo os ambulatórios tem sistema de ar condicionado com renovação e filtragem adequada do ar para que o paciente, durante a triagem, não contaminem outros.

Vamos entrar um pouco mais fundo em um tema já tratado aqui. O Coronavírus alarma pela alta letalidade, mas outros tantos nos acometem diariamente.

Fungos também são contamináveis pelo ar e agem de forma silenciosa, causando sequelas graves e podendo levar a morte. A Fundação Osvaldo Cruz, em matéria, informa que o Ministério da Saúde estima que 3,8 milhões de indivíduos sofram com alguma infecção fúngica séria, e o custo com paciente pode superar R$250 mil durante todo o tratamento. Isso corresponde a quase R$1 bilhão. Se só fungos podem custar isso, imaginem as demais doenças infectocontagiosas?

Uma cidade que pretende ser inteligente, precisa pensar em prevenção. A prevenção custa muito menos que o tratamento das doenças, sem contar com o custo das ausências no trabalho e a necessidade de um parente acompanhar o enfermo.

O Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas (CSSE) da JHU – Universidade Johns Hopkins de Baltimore nos Estados Unidos, criou um site para acompanhamento da evolução dos casos de Coronavírus em tempo real, em todo planeta. Clique aqui e confira.

Do mais, ratifico minha colaboração com a sociedade, informando de forma clara e objetiva, os caminhos para preservação da saúde em uma cidade inteligente.

Não entre em Shoppings, restaurantes ou mesmo em salões de cabeleireiro sem saber se o ambiente tem um engenheiro responsável pelo sistema de ar condicionado, um plano de manutenção, operação e controle e se a cada semestres verificam a qualidade do ar do ambiente (medições realizadas por engenheiros químicos). Você pode estar se submetendo ao risco de contaminações que desconhece e as consequências podem ser catastróficas.

Caso sintam-se intimidados em questionar, lembrem-se que o restaurante não se intimidará em lhe cobrar pelo uso do espaço e o respectivo consumo, nem tampouco o parquinho infantil o abonará do custo, caso seu filho saia com algum problema respiratório.

Se você sentir olhos ardendo, cheiros intensos, tonteiras, ou simplesmente incômodos respiratórios, podem acionar o MP - Ministério Público do seu Estado e solicitar uma averiguação. No Rio de Janeiro - MPRJ, em São Paulo - MPSP ou pelo telefone 127 em todo território nacional.

Gosta do assunto e quer sugerir algum tema? Envie um e-mail para ricardosalles@asmprojetos.com.br