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Cidades Inteligentes

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Ricardo Salles

M­­­­­eio ambiente, oportunidade com um grande desafio

Jornal do Brasil RICARDO SALLES, ricardosalles@asmprojetos.com.br

Vemos uma grande polêmica alimentada pela mídia que ganha muito dinheiro com a defesa dos que são atacados (não estamos avaliando se atacados com razão ou sem). Hoje temos acesso a informação a qualquer hora. Na verdade, há um excesso de informação, muitas vezes não compilada, e mesmo assim compramos.

Meu objetivo aqui é sempre descomplicar e mostrar alternativas transformadoras, algumas vezes disruptivas, mas sempre tangíveis.

Vamos a alguns pontos importantes. Será que precisamos que organismos internacionais nos digam como e por que preservar a nossa Amazônia verde ou a azul? Acho que não, temos total consciência de sua importância para sobrevivência de várias espécies, nas quais nos incluímos. O grande interesse deveria nos acender uma luz amarela. Por que grandes potências econômicas que destruíram seus ecossistemas vêm aqui para subsidiar projetos e mandam seus cientistas para “acompanhar” e alimentar suas pesquisas? Precisamos pensar mais sobre isso e conhecer que projetos são estes que têm interessado a eles, certamente mais que a nós.

Na semana passada levantei a tese de que o monitoramento é fundamental. Será que com monitoramento responsável estas organizações continuariam interessadas em “ajudar na preservação de nossa Amazônia”?

Vamos entender um pouco nosso cenário e como podemos virar este jogo de forma simples e rápida. Um caminho bem possível para o Brasil é usar o Rio de Janeiro como referência de como o meio ambiente deve ser tratado. O Rio de Janeiro tem as duas maiores florestas urbanas do mundo (Maciço da Pedra Branca e o Maciço da Tijuca) que juntas ocupam mais de 20% da área da cidade do Rio, correspondendo a mais de 40 mil campos de futebol. É a capital nacional do petróleo, respondendo por 72% de toda produção nacional (segundo a Agência Nacional do Petróleo – ANP), é também a referência brasileira de turismo. Somente estes três já são motivos suficientes para usar o Rio de Janeiro.

Nas florestas urbanas temos a possibilidade de criação de modelos para educação ambiental e capacitação de professores. Sistemas de monitoramento referenciais próximos a centros de pesquisa como o da UFRJ são de importância fundamental. O desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias em uma cidade com todos os recursos disponíveis é muito mais viável do que no meio da Amazônia.

Com relação à exploração do petróleo, temos uma grande responsabilidade por nossa posição como grande produtor. Uma das finalidades dos royalties do petróleo é mitigar os danos causados pela exploração deste recurso mineral. Há alguns anos estive em Brasília representando a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil – CACB, discutindo sobre o direito do Rio de reter este recurso, e fui contestado por um deputado federal do Piauí. Este deputado me perguntou como este royalty era empregado. Se não há programação para aplicação na compensação, segundo o deputado, todos os demais estados deveriam ter direito a esse dinheiro. Discordo, tanto de sua tese quanto da forma com que hoje é empregado o dinheiro. Portanto, há uma enorme oportunidade de trabalho e desenvolvimento de novas tecnologias, pois recursos, se bem empregados, não faltam.

Com relação ao turismo, não há outro local com a legitimidade do Rio de Janeiro para sediar eventos de negócios e educacionais, relacionados ao meio ambiente. Os participantes têm experiência imersiva em áreas de preservação em meio ao cenário cosmopolita e urbano. Atividades esportivas ligadas ao meio ambiente também são priorizadas.

A infraestrutura é a base de qualquer desenvolvimento. Vejamos o exemplo da China, que construiu a base para ser o que é hoje. Temos muitas vantagens competitivas comparados a outros potências econômicas, a começar pela ambiental. Podemos usar as tecnologias já disponíveis para darmos este salto. Hoje levamos mais de uma hora para receber informações sobre tendência a transbordamento de rios, que transbordam em 30 minutos após chuvas fortes. Isto não é funcional.

Hoje temos no Rio de Janeiro o Instituto Estadual do Ambiente – INEA que uniu três agendas importantes, verde (IEF), azul (Serla) e marrom (Feema). O INEA é uma autarquia ligada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, com a função de executar as políticas estaduais do meio ambiente, de recursos hídricos e de recursos florestais adotadas pelos poderes Executivo e Legislativo do Estado. Esta autarquia tem uma missão importantíssima, a fiscalização e o monitoramento das condições ambientais. Como será que isso é feito? Quais estruturas de recursos materiais e humanos estão disponíveis? Qual a interação deste instituto com a população?

Caso você desconfie que algo ilícito está sendo praticado por um vizinho, como deve exercer sua obrigação de cidadão responsável? Sabe, estas são informações importantíssimas que deveriam fazer parte dos noticiários para auxiliar na construção de uma sociedade mais interativa, colaborativa e responsável. Para falar com o INEA, seja para denúncia ou questionamentos, existe o tel. 21 2332 4604, que só atende de 2ª a 6ª feira, de 10h às 18h. Caso haja dificuldade, o Ministério Público é uma alternativa. No Rio de Janeiro - MPRJ, em São Paulo - MPSP ou pelo telefone 127 em todo território nacional.

Temos muito a ensinar ao mundo, mas só seremos respeitados se fizermos o dever de casa.

Dentro de tantas transformações, precisamos de mais engajamento da sociedade. Cidadãos que pensem no futuro e se entendam peças importantes nesta construção de médio e longo prazo.

A construção de cidades inteligentes passa por tantos elementos que só com um objetivo bem traçado e obstinadamente buscado é que alcançaremos.

Na próxima semana vamos dar continuidade ao tema.

Gosta do assunto e quer sugerir algum tema? Envie um e-mail para ricardosalles@asmprojetos.com.br