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Como humanidade enfrentou 'inverno nuclear' há milhares de anos

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Cientistas revelam que, há cerca de 70.000 anos, a humanidade quase desapareceu devido a uma catástrofe climática. A Sputnik explica o que poderia ter causado essa catástrofe, que levou à extinção de muitas espécies e, de fato, formou o homem moderno.

Em 1993, um grupo internacional de cientistas realizou pela primeira vez uma análise do DNA mitocondrial humano e revelou os vestígios de dois processos importantes: "engarrafamento" e "deriva dos genes".

Cientistas revelam que, há cerca de 70.000 anos, a humanidade quase desapareceu devido a uma catástrofe climática. A Sputnik explica o que poderia ter causado essa catástrofe, que levou à extinção de muitas espécies e, de fato, formou o homem moderno.

Em 1993, um grupo internacional de cientistas realizou pela primeira vez uma análise do DNA mitocondrial humano e revelou os vestígios de dois processos importantes: "engarrafamento" e "deriva dos genes".

Um pouco mais tarde, vestígios de "engarrafamento" e "deriva dos genes" foram encontrados no DNA dos orangotangos das ilhas de Sumatra e de Bornéu. Isso significa que, no passado distante, os nossos antepassados e animais enfrentaram uma catástrofe climática global.

Longo inverno vulcânico

Na Terra existem vinte supervulcões cuja erupção pode causar mudanças climáticas no planeta inteiro. Os cientistas suíços estabeleceram que esses vulcões explodem uma vez em cada 100.000 anos e que esse tipo de erupção ocorreu há cerca de 75.000 anos, nas vésperas do "engarrafamento". Trata-se do vulcão Toba, na Indonésia.

Como resultado, na ilha de Sumatra surgiu o lago Toba e as cinzas vulcânicas cobriram um território de cerca de 40 milhões de quilômetros quadrados. As cinzas dessa erupção foram encontradas mesmo no fundo do lago Malawi (África) a 7.000 quilômetros de Sumatra. Atingindo a atmosfera, as cinzas bloquearam a luz solar, causando o inverno vulcânico, explicou um grupo internacional de cientistas. As temperaturas anuais atingiram o seu mínimo, caindo, segundo várias estimativas, em 5-15 graus Celsius.

Isso explica por que os primeiros Homo sapiens, que abandonaram a África há 125.000 anos, entraram em extinção, enquanto a população que decidiu permanecer no continente declinou para 10.000 indivíduos.

Entretanto, há vestígios que contradizem a teoria da catástrofe de Toba. Durante escavações no sul da Índia, antropólogos americanos encontraram ferramentas paleolíticas em cima e debaixo da camada de cinza vulcânica. O mesmo foi encontrado em sepulturas de povos antigos na costa sul-africana. As ferramentas encontradas provam que os nossos antepassados viveram ali antes, durante e após a catástrofe. Além disso, parece que a catástrofe não abalou os homens de Neandertal, que atingiram o auge do seu desenvolvimento após a erupção de Toba.

Levantando a cinza do fundo do lago Malawi, os cientistas estabeleceram que sua concentração não foi suficiente para influir no ecossistema local. Se tivesse havido muitas cinzas e a temperatura na região tivesse caído em ao menos quatro graus, a maioria dos organismos nas camadas superiores do lago ter-se-ia extinguido.

No entanto, a análise dos sedimentos revelou que isso não aconteceu. Por conseguinte, a erupção de Toba e o suposto inverno vulcânico não poderiam ter causado o "engarrafamento". Entretanto, os cientistas afirmam que uma coisa é certa: há 70.000 anos a humanidade quase desapareceu – a Terra enfrentou uma catástrofe climática. Mas o que é que causou essa catástrofe? A questão permanece em aberto.