Jornal do Brasil

Ciência e Tecnologia

Asteroides podem salvar Terra da catástrofe ambiental

Jornal do Brasil

Em dezembro deste ano, a missão OSIRIS-REx da Nasa chegou ao asteroide Bennu para extrair amostras de rocha. No próximo ano, a missão chinesa Chang'e-5n deverá chegar à Lua para realizar perfurações.

Um dos propósitos dessas expedições é a exploração mineral, porque sem os recursos cósmicos a humanidade não poderá explorar o Sistema Solar.

Macaque in the trees
Asteroides (Foto: Pixabay)

Jazidas de minérios na Lua

A China já enviou com sucesso dispositivos para a Lua e, conforme seu programa lunar, o próximo passo é implantar uma base habitável na superfície do nosso satélite natural. Para tal é preciso explorar os recursos lunares de maneira a sustentar a vida e proteger os pioneiros da radiação. Exemplificando: uma necessidade é a produção de combustível de foguete e insumos para uma impressora 3D capaz de imprimir peças de máquinas e edifícios.

Com base nos cálculos do Instituto de Geoquímica e Química Analítica da Academia de Ciências da Rússia serão necessárias duzentas toneladas de oxigênio e 50 toneladas de hidrogênio na fase inicial de exploração da Lua. Ou seja, a logística da instalação humana na Lua é caríssima.

No estado congelado, os compostos voláteis encontrados nos polos da Lua são recursos particularmente valiosos: gelo de água, amônia, monóxido de carbono, hidrocarbonetos leves. Além disso, há também oxigênio, metais e silício no solo lunar.

As tecnologias para recolher e armazenar minerais do regolito estão sendo desenvolvidas. Mas antes, é preciso obter amostras de diferentes lugares da Lua. Por isso, no instituto será criado um robô geológico, que irá efetuar essa coleta.

Água e níquel de asteroides

A missão OSIRIS-Rex de estudo do asteroide Bennu foi lançada há dois anos. As primeiras observações da sonda na superfície do asteroide indicaram grupos de hidroxila, o que significa a presença de água contida na estrutura cristalina dos minerais de argila.

Durante um período, OSIRIS-Rex explorará remotamente o asteroide voando à sua frente. Depois, haverá uma aproximação para disparar nitrogênio na superfície a fim de capturar a poeira que subir. Desse modo, em 2023, a missão pegará um inestimável tesouro para o nosso planeta.

Ao mesmo tempo a NASA lançará outra missão de busca no asteroide Psique. Os cientistas sugerem que este asteroide é completamente composto de ferro e níquel, apenas na sua superfície há uma fina camada de regolito, provavelmente areia.

Economia extraterrestre

Os pesquisadores acreditam que, muito em breve, a humanidade terá que procurar fontes extraterrestres de minerais que contenham elementos raros ou próximos de esgotamento na Terra: ouro, cobalto, ferro, rutênio, rênio, bismuto, ósmio, ródio, molibdênio, magnésio, níquel, paládio e platina.

As tecnologias modernas permitem a exploração de minas na Lua e asteroides em meados do século XXI com o emprego de robôs. Já para a mineração em asteroides, a logística deve ser mais barata.

Do ponto de vista econômico, a extração de hélio-3, acumulado no regolito lunar sob a influência do vento solar, também está sendo avaliada. Não há depósitos dessa substância na superfície terrestre.

O interesse pelo hélio-3 surgiu no final dos anos 80 em virtude do sucesso da energia termonuclear. Os cientistas alegaram que essa substância poderia servir como combustível para os reatores de fusão nuclear Tokamak, o que permitiria resolver os problemas de energia da Terra.

Outro argumento a favor da indústria de minérios extraterrestres é o ecológico. Alguns elementos raros, especialmente subgrupos de platina, são usados em tecnologias verdes: baterias solares e catalisadores. Na Terra, os depósitos desses minérios são modestos, seu esgotamento exigirá o aprofundamento das minas, o que deixará um indesejável rastro de carbono. Mas a transferência da mineração para outros corpos celestes reduzirá significativamente a sobrecarga sobre o meio ambiente de nosso planeta.