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Confira os sintomas cada vez mais alarmantes das mudanças climáticas

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Concentração recorde de CO2, calor extremo, recuo das geleiras... Os últimos indicadores sobre alterações no clima evidenciam que uma ação é urgente, às vésperas da 24ª conferência das partes da ONU sobre mudanças climáticas (COP24), em Katowice, que será lançada neste domingo e que vai até 14 de dezembro.

Muito provavelmente, 2018 será o quarto ano mais quente desde que começaram os registros das temperaturas, em 1880, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Assim, o século XXI já conta com 17 dos 18 anos mais quentes já registrados.

Neste verão no hemisfério norte, a Europa, o oeste dos Estados Unidos e a Ásia foram castigados por ondas de calor. Em Portugal, Escandinávia, Japão e Argélia, por exemplo, foram reportadas temperaturas recorde e também incêndios gigantescos.

No Ártico, a extensão da banquisa de gelo se manteve muito abaixo da média durante todo o ano e registrou um recorde mínimo em janeiro e fevereiro.

As geleiras do planeta também retrocederam pelo 38º ano consecutivo. Na Suécia, o pico sul da montanha Kebnekaise deixou de ser o mais alto do pais, devido às temperaturas excepcionais do verão.

 

A concentração dos três principais gases causadores do efeito estufa - dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido de nitrogênio (NOX) - alcançou novos máximos em 2017 e seu avanço prossegue este ano.

A concentração de CO2, um gás que persiste durante vários séculos, foi de 405,5 partes por milhão (ppm) em 2017. A última vez que a Terra registrou concentração semelhante foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás, segundo a OMM. A temperatura na ocasião era de 2º a 3ºC mais alta e o nível do mar, superior entre 10 e 20 metros ao atual.

As emissões de metano, ligadas sobretudo à queima de energias fósseis e às atividades agropecuárias, aumentaram na última década. Sua concentração chegou em 2017 a um nível equivalente a 257% do registrado antes da Revolução Industrial.

 

A elevação do nível dos oceanos, variável segundo as regiões, foi de 20 cm, em média, no século XX. Atualmente, eleva-se 3,3 mm anuais e o fenômeno parece se acelerar. O nível dos mares aumentou de 25% a 30% mais rapidamente entre 2004 e 2015 com relação a 1993-2004.

O degelo das calotas de gelo da Groenlândia explica em parte este aumento. Mas a Antártica pode se tornar o principal motor: antes de 2012, o continente branco perdia 76 bilhões de toneladas de gelo ao ano. Desde então, a cifra disparou para 219 bilhões de toneladas.

Se o aquecimento fosse mantido a 1,5ºC com relação à era pré-industrial, o nível dos mares subiria entre 26 e 77 centímetros até 2100, segundo projeções da ONU. Com uma temperatura 2ºC mais quente, se adicionariam 10 cm, afetando até 10 milhões de pessoas a mais.

Sobretudo, a longo prazo, as calotas da Antártica e/ou da Groenlândia poderiam se desestabilizar com um clima entre +1,5/2ºC mais quente, elevando o nível dos mares em vários metros ao longo dos próximos séculos.

 

O aquecimento global há está favorecendo episódios meteorológicos extremos, particularmente secas e ondas de calor.

Até 20 de novembro, a OMM tinha registrado 70 ciclones tropicais em 2018 contra uma média histórica anual de 53.

De acordo com alguns estudos, o número de secas, incêndios, inundações e furacões ligados ao desarranjo do clima dobrou desde 1990.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), com +2ºC ocorrerão ondas de calor na maioria das regiões e as precipitações associadas aos ciclones serão mais intensas.

As perdas associadas às catástrofes naturais atingiram 520 bilhões de dólares anuais e jogam a cada ano 26 milhões de pessoas na pobreza, segundo o Banco Mundial.

 

Das 8.688 espécies ameaçadas ou quase ameaçadas, 20% já foram afetadas pelas mudanças climáticas.

Os arrecifes de coral sofreram um embranquecimento maciço nos últimos anos e uma mortalidade recorde. os cientistas destacam, ainda, uma multiplicação dos episódios de canícula oceânica, ameaçando os ecossistemas marinhos.