Mulheres processam universidade da Califórnia por abusos de ginecologista

Cinco mulheres processaram nesta segunda-feira (21) a Universidade do Sul da Califórnia (USC) por não protegê-las do ginecologista dessa instituição, acusado de abuso sexual.

Em um primeiro recurso, quatro mulheres não identificadas asseguraram que George Tyndall, demitido em 2017, as obrigou a tirar a roupa e as "manuseou sob um pretexto médico para sua 'gratificação sexual'".

Tyndall trabalhou por anos como o único ginecologista dessa universidade, que, segundo a ação, "ocultou ativamente inúmeras queixas de abuso sexual feita por seus estudantes" para "proteger sua reputação e suas finanças".

Enfermeiras e outros colegas também o denunciaram.

A USC chegou a um acordo amigável com o médico em 2017, um ano após ser colocado em licença para uma investigação interna que incluiu queixas documentadas desde 2000 e que destacam constantes comentários sexuais e racistas em suas consultas, e a descoberta de uma caixa com fotografia das genitálias de suas pacientes.

O advogado de acusação, John Manly, indicou que 200 ex-alunas contactaram uma linha telefônica colocada à disposição pela universidade para coletar informações sobre Tyndall.

Uma segunda ação também foi introduzida nesta segunda-feira por outra estudante, identificada como J.C. e que afirma que o médico colocou o dedo dentro de sua vagina fazendo comentários sobre sua "tonificação genital".

"Estamos conscientes dos processos, estamos focados em garantir a segurança e o bem-estar de nossos estudantes e apoiar os que foram afetados", assinalou a universidade em comunicado.

Tyndall disse ao jornal Los Angeles Times, primeiro a revelar a história, que seus exames ginecológicos eram totalmente justificados.

A Polícia de Los Angeles indicou que não há investigação aberta contra o ginecologista.

Em uma carta à comunidade universitária, o decano Michael Quick pediu desculpas pela conduta de Tyndall. "Isso nunca deveria ter acontecido, muito menos com nossos estudantes. Estou horrorizado e enojado".

Viva Symanski, uma das estudantes afetadas, convocou nesta segunda-feira uma manifestação para 10 de junho. "Sem mais encobrimento! Tornem esse abusador responsável!".