'WSJ': Falta de inovação é o principal entrave ao crescimento econômico

Reportagem diz que grandes criadores sempre se basearam em trabalhos anteriores

Matéria publicada nesta sexta-feira (9) pelo The Wall Street Journal conta que em vários aspectos, parece que estamos vivendo uma era dourada da inovação. Todos os meses vemos novos avanços em inteligência artificial, terapia genética, robótica e aplicativos. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento como fatia do produto interno bruto dos Estados Unidos estão perto de níveis recordes. Nunca houve tantos cientistas e engenheiros no país como agora. Mas nada disso se traduz em melhorias significativas no padrão de vida dos americanos.

O texto do Journal observa que as economias crescem quando uma força de trabalho crescente recebe mais capital como equipamentos, software e prédios, e então combinando capital e trabalho de forma mais criativa. Este último elemento, chamado de “fator total de produtividade”, captura a contribuição da inovação. Seu crescimento atingiu o auge nos anos 50, com alta de 3,4% ao ano, à medida que inovações como eletricidade, aviação e antibióticos atingiam seu impacto máximo. Desde então, essa produtividade só desacelerou, crescendo a uma média de 0,5% na década atual. Com exceção da tecnologia de uso pessoal, melhorias na vida diária têm sido graduais, não revolucionárias. Casas, eletrodomésticos e carros não mudaram muito em uma geração. Os aviões não estão voando mais rápido que nos anos 60. Nenhum dos 20 remédios que precisam de prescrição mais vendidos nos EUA foi lançado nos últimos dez anos. A queda na inovação é o principal motivo dos padrões de vida dos EUA terem estagnado desde 2000. Sem uma virada, essa estagnação deve continuar, aumentando a crise que deixou a classe média tão insatisfeita.

Segundo a reportagem economistas debatem os motivos, mas há claramente várias forças em jogo. Os obstáculos para transformar ideias em produtos de sucesso comercial têm crescido. Os frutos fáceis de colher na ciência, medicina e tecnologia já foram obtidos e os novos avanços são mais caros, mais complexos e mais propensos a fracassos. A inovação vem através de tentativas e erros, mas a sociedade ficou menos tolerante ao risco. As regulações elevaram as barreiras para a comercialização de novas ideias ao mesmo tempo em que direcionaram uma crescente fatia de esforços de inovação para metas com benefícios, como o ar mais limpo, que não elevam o produto interno bruto. Ao mesmo tempo, uma tendência em direção à concentração industrial pode ter dificultado a vida dos recém-chegados. Existe solução para a escassez de inovação. O capital é abundante, e tanto empresas tradicionais como jovens empreendedores estão fazendo apostas de alto risco em carros, viagens espaciais e drones, e alguns formuladores de políticas estão tentando tolerar mais risco para que essas apostas tenham sucesso.

Ainda assim, de acordo com o noticiário norte-americano, com exceção da tecnologia da informação, os obstáculos para a inovação estão ficando maiores, não menores, principalmente na medicina. Nos últimos 100 anos, vacinas, antibióticos e água potável derrotaram os grandes assassinos da humanidade. Hoje, a maioria dessas doenças tem tratamento. O que sobrou, diz Jack Scannell, do Centro para o Avanço da Inovação Médica Sustentável da Universidade de Oxford, são doenças como o Alzheimer, para as quais os cientistas não têm uma teoria útil de tratamento. 

Scannel e vários coautores estimam que o número de remédios aprovados nos EUA por dólar investido em pesquisa e desenvolvimento caiu pela metade a cada nove anos entre 1950 e 2000. O número de aprovações cresceu desde então, embora 40% são para remédios que tratam doenças que atingem menos de 200 mil pessoas, finaliza The Wall Street Journal.