Empresa contrata profissionais com austismo para atuarem em projetos de tecnologia

Os primeiros resultados da experiência se mostram estimuladores

Promover a igualdade, o combate ao preconceito e despertar nas pessoas um novo olhar sobre o outros é sempre um desafio para as empresas. A inclusão faz a diferença no ambiente corporativo. É por isso que a multinacional de consultoria, everis, do do Grupo NTT DATA, decidiu seguir esse caminho e já sente transformações positivas em suas equipes.

A empresa implantou o Projeto TEA, que visa a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A denominação TEA é utilizada desde 2013 para classificar as síndromes marcadas por alterações do desenvolvimento neurológico como o autismo clássico, o autismo de alto desempenho, a síndrome de asperger e o distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação (DGD-SOE). Cada uma dessas variações envolvem situações, apresentações e graduações diferentes entre si, que vão de leves a graves, razão do uso do termo "espectro".

Mas, todas, em menor ou maior grau, estão relacionadas às dificuldades de comunicação e de relacionamento social, características que levam, muitas vezes, à discriminação e à exclusão. No entanto, as pessoas com TEA são capazes de produzir ideias próprias e originais, têm sensibilidade para as artes, são ótimas observadoras do espaço, de si mesmas e dos outros. A qualquer mudança, manifestam surpreendentes e adequadas observações. São algumas potencialidades que com a inclusão no mercado de trabalho só trazem ganhos a elas e à sociedade.

A iniciativa, de acordo com Rita Souza, gerente de People da everis, pretende gerar uma mudança de perspectiva sobre o autismo na empresa, promover a questão da diversidade entre seus profissionais e mostrar a grande capacidade que as pessoas com TEA têm de executarem um bom trabalho, serem autossuficientes e contribuírem para o sucesso dos projetos dos clientes.

Nesse processo, a everis conta com o apoio da Specialisterne Foundation, uma organização dinamarquesa que atua na capacitação de profissionais com transtorno na área de TI e na inserção deles no mercado de trabalho.

"Estamos muito felizes com esta parceria", enfatiza Thorkil Sonne, fundador da Specialisterne.

Convivência transformadora

Vitoria Gimenez, de 21 anos, é a primeira profissional com TEA a integrar a equipe da everis. Estudante de Mecatrônica, ela trabalha no Centro de Certificação de Aplicações com 12 consultores. A receptividade foi extremamente positiva e os primeiros resultados da experiência se mostram estimuladores. Foram detectadas melhorias quantitativas e qualitativas na produtividade da equipe, na formação dos líderes e no clima organizacional.

A gerente de People da everis avalia que os profissionais com TEA podem ter dificuldades para compreenderem algumas situações, estados emocionais ou mesmo nos relacionamentos sociais. Mas, por outro lado, têm alta capacidade de concentração e produção, talento para executarem atividades repetitivas e metódicas, ótima memória visual e de longo prazo e, ainda, boa identificação de padrões.

Rita também destaca outra qualidade essencial para qualquer negócio: a honestidade, o que contribui para a tomada de decisões. "Não é a capacidade técnica que afasta um profissional com TEA do mercado de trabalho, mas a dificuldade de interação", ressalta.

Segundo Vitória, trabalhar na empresa é uma oportunidade de colocar em prática tudo o que estudou e a interação com os demais profissionais é gratificante e sem dificuldades. "Sinto que a forma como desempenho meu trabalho gera um impacto positivo para o projeto que atuo. O clima de colaboração da minha equipe é emocionante, eu nunca fui tratada dessa forma, sem distinções. Não é um problema as pessoas saberem lidar ou não comigo, mas o respeito que elas têm me motiva", compartilha a profissional.

A inclusão de pessoas com TEA tem entusiasmado todos na empresa. Com base nos resultados positivos desse projeto, a everis já estuda a inserção de novos profissionais com o Transtorno do Espectro Autista em outras equipes.