Hospital do Fundão promove curso de atualização no tratamento de tabagismo

O Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo do Hospital Clementino Fraga Filho (NETT/HUCFF) promoverá o II Curso de Atualização no Tratamento e Prevenção de Tabagismo, à distância, voltado para profissionais da saúde. As inscrições serão realizadas entre 14 de março e 08 de abril e as aulas ocorrerão em maio e junho.

O tabagismo é uma dependência poderosa. A nicotina demora apenas nove segundos para chegar ao cérebro e transmitir a sensação de alívio e relaxamento. “Não vai mudar em nada sua vida, nem resolver os problemas, mas cria uma sensação de bem-estar”, reforça o coordenador do NETT, o pneumologista Alberto Araújo. A conta, entretanto, é alta: o tabagismo é o principal fator de risco do câncer, notadamente o de pulmão, embora também provoque outras patologias, como enfisema pulmonar, bronquite, doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC) – a doença que mais mata no Brasil.

Sobre o curso, o pneumologista explica os temas abordados nos diversos módulos: os aspectos relacionados à dependência química da nicotina, quais os tratamentos para cessar o consumo, como lidar com os gatilhos que provocam a vontade de fumar e políticas públicas, entre outros. “O fumo também tem um lado comportamental, então, além de medicamentos, a gente precisa tentar desabituar práticas atreladas ao cigarro. Por exemplo: tomar um cafezinho. A pessoa pode optar por, talvez, um chá. Outra recomendação é buscar atividades físicas prazerosas para fugir do sedentarismo. Ainda há aqueles que encontram na religiosidade motivação para parar de fumar”, resume ele.

Narguillé e cigarro eletrônico: disfarces de um produto já conhecido.

Umas das maiores preocupações de Alberto Araújo é a disseminação do consumo de narguillé e do cigarro eletrônico, principalmente entre os jovens. O fenômeno é novo, mas os riscos já são conhecidos pelos especialistas.

“O narguillé é muito antigo e sempre foi a principal forma de consumir tabaco nos países árabes. Houve uma glamourização dessa prática no Brasil, principalmente entre os jovens. Sabe-se que sessão de 45 minutos corresponde a 100 cigarros, fora que tem mais alcatrão, mais nicotina e carvão ativado. A combinação é altamente cancerígena, com mais danos do que o cigarro normal ao longo do tempo”, sintetiza.

De acordo com o coordenador do NETT e do livro Manual de condutas e práticas em tabagismo, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, o cigarro eletrônico é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apesar de ser possível trazê-lo de fora do país ou adquiri-lo em sites. Ele burla também a fiscalização publicitária, usando como mote de propaganda a filosofia do “por que não experimentar, Já que não faz mal?”. Um engodo, segundo o especialista.

“Existe não só a ideia de que não faz mal, como a de que não causa dependência é um bom instrumento para ir largando o cigarro. Isso é mentira. Esse não é o melhor tratamento para quem quer parar de fumar. Existem remédios, inclusive à base de nicotina, mais eficazes”, reforça ele, acrescentando que, com o discurso de que é inofensivo, muitos que haviam parado de fumar acabaram voltando.

Entre os mais novos, o fumo pode levar a distúrbios de fertilidade, impotência masculina, diminuição da capacidade física, aborto espontâneo, diminuição do peso do bebê e tromboangeite (doença que, embora não seja numericamente relevante, leva à amputação dos dedos).

Políticas públicas de saúde

Outro tema discutido no curso são as políticas públicas. O marco internacional é a Convenção Quadro pelo Controle do Tabaco, primeiro tratado internacional da saúde pública, proposto em 1999 em Assembleia da OMS e aprovado em 2003. Alberto Araújo recorda que o Brasil participou ativamente, desempenhando papel de protagonista. “Algumas medidas até já adotávamos”, acrescenta.

Entre elas conta a regulamentação para publicidade do cigarro, a lei antifumo, que proíbe o fumo em aviões e locais fechados e a diversificação do cultivo, medida das mais avançadas e estudadas, que permite ao produtor intercalar o plantio de tabaco com outro até deixar de plantá-lo.

“A lei antifumo, acaba prevenindo a inicialização da prática, já que muitos dos hábitos atrelados ao cigarro ocorrem nesses espaços”, analisa Alberto Araújo.

Também minimiza os efeitos do cigarro em pessoas passivas. “Além do fumante ativo, temos o passivo, que é quem fica no ambiente, e o passivo secundário, que absorve a fumaça retida em carpetes, cortinas e estofados. Nesse quesito, crianças e animais são os grandes afetados”, finaliza.

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