Um projeto coordenado pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), do Ministério da Defesa, já mapeou mais de 70% do chamado vazio cartográfico da Amazônia. uma área de 1,8 milhão de km² que, até então, não contava com informações cartográficas terrestres.
O vazio corresponde a 35% do total do território amazônico e concentra-se em áreas de floresta e de fronteira, nos Estados do Amapá e do Amazonas, além de parte do Acre, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Roraima. O projeto alcançou, em 2015, execução de 71,14% da meta. O investimento com recursos da União é de mais de R$ 333 milhões, dos quais R$ 237 já foram executados. A iniciativa compreende a elaboração de cartas náuticas, mapeado os principais rios navegáveis da região, e também cartas geológicas, mostrando os potenciais geológicos da área. A previsão é que os trabalhos estejam finalizados até 2018.
Da área total do vazio cartográfico, cerca de 1,6 milhão de km² é de vegetação densa, sendo necessário utilizar ferramentas tecnológicas capazes de atravessar as copas das árvores, para registrar a correta altimetria do solo. ?Esse mapeamento é inédito e servirá para diversas aplicações na Amazônia?, ressalta o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes.
Parte da Amazônia foi imageada na década de 70, por meio do Projeto RadamBrasil, no entanto, em escala menor e sem a adequada altimetria do solo. ?Na época, não havia tecnologia capaz de atravessar as copas das árvores para coletar o movimento altimétrico do solo. Hoje, já temos. Além disso, conseguimos fazer as cartas numa escala muito maior?, explica o diretor do Censipam, acrescentando que apenas 155,4 mil km² da área total mapeada não é coberta por floresta.