Mudanças sociais refletem a nova relação da mulher com a maternidade

Ao longo da história é possível observar constantes transformações sociais, culturais, políticas e econômicas que caracterizam o modo de viver, determinando o comportamento e a forma de se relacionar das pessoas deste período. Por muitos anos, a figura feminina era relacionada tão somente aos cuidados maternos e ao lar. A procriação em grande escala era comum, bem como a idade precoce em que isso acontecia. Contudo, a mulher em tempos atuais ocupa um novo e importante papel social. Trabalhar, estudar, viajar ou outros projetos pessoais virou prioridade. Com isso, a gravidez é cada vez mais adiada e as técnicas de reprodução humana assistida ganham espaço.

Para dra. Maria Cecília Erthal, diretora médica do Vida – Centro de Fertilidade, o perfil de mulheres que procuram seu consultório tem mudado, mas isso não representa uma consciência das mulheres quanto aos cuidados necessários ao adiar a maternidade.

"Há 10 anos, o que tínhamos eram mulheres entre 25 e 35 anos com problemas de infertilidade causados por doenças, como a endometriose, obstrução tubária, anovulação crônica e ou fatores masculinos devido a alterações no sêmen, que impediam a gravidez. O que observamos hoje é que a cada dia mais mulheres acima de 40 anos procuram a clínica para realizar o sonho da maternidade. Porém, muitas acham que podem postergar a gravidez e que quando decidirem ter filhos a medicina reprodutiva faz o “milagre acontecer”, e não é assim que funciona", comenta.

O planejamento ao postergar a maternidade é essencial, pois a gestação está ligada diretamente à qualidade da saúde reprodutiva da mulher. A dra. Maria Cecília destaca alguns pontos importantes que devem ser levados em consideração nesse momento.

– A primeira preocupação é com a idade. Após os 35 anos, a quantidade e a qualidade de óvulos disponíveis no corpo da mulher é menor e, por isso, o ideal é que congelem seus óvulos. A mulher deve procurar uma clínica especializada para avaliar o seu potencial reprodutivo, ou seja, sua reserva de óvulos, e é importante fazer uma pesquisa de causas de infertilidade, para que se tenha a tranquilidade de saber que nada orgânico poderá atrapalhar quando decidir constituir sua família.

O grande obstáculo para essas mulheres é a falta de conhecimento disponível. Segundo a médica, a divulgação sobre o assunto ainda é pequena e maioria das mulheres, quando jovens, não se preocuparam com os riscos que podem surgir ao decidirem ser mães. Para falar sobre a relação das mudanças sociais na vida da mulher moderna e o impacto dos diferentes fatores na gravidez, Maria Cecília Erthal realizará evento gratuito no dia 19 de março (sábado), às 9h, no auditório MDX Medical Center, na Barra da Tijuca, com o tema “Mulher moderna e o adiamento do sonho da gravidez”.

Manter óvulos congelados é opção para preservar a fertilidade

Ideal para mulheres abaixo dos 30 anos, que não querem engravidar ou que não pretendem engravidar antes dos 35 anos, o congelamento de óvulos preserva a fertilidade e não tem prazo de validade. As etapas lembram o início de um tratamento de fertilização: a paciente recebe injeções com hormônios por um período de aproximadamente 14 dias para estimular a produção de óvulos; e seções de ultrassonografia acompanham as alterações ovarianas para determinar o momento exato da aspiração. A partir da coleta dos óvulos, procedimento realizado em ambiente cirúrgico, as células são examinadas e, em vez de serem fecundadas e implantadas no útero, são vitrificadas minutos depois, a uma temperatura de -196ºC e transferidas para um contêiner com nitrogênio líquido.

Cheguei aos 40 anos, quero engravidar e não congelei meus óvulos. O que eu faço? 

Outra possibilidade que vem ganhando adeptas é a doação compartilhada de óvulos, que beneficia, ao mesmo tempo, dois grupos distintos de mulheres. Aquelas que estão em tratamento de reprodução assistida com seus próprios óvulos e desejam, seja por altruísmo ou questões financeiras, doar parte dos óvulos coletados. E, nesse caso, a paciente (doadora) concorda em ceder parte de seus óvulos para uma outra mulher (receptora). Quem recebe os gametas oferece um auxílio para pagar parte do procedimento de fertilização in vitro da doadora.

Geralmente, as receptoras são mulheres acima dos 35 anos de idade que não produzem óvulos, realizaram quimioterapia em tratamento de doenças que prejudicaram a qualidade de seus ovários ou que possuem alguma doença genética com risco de ser transmitida para o filho. A mulher que doa, por sua vez, deve possuir as seguintes características: ter menos de 35 anos, ser fenotipicamente semelhante à receptora (características físicas), ter histórico negativo de doenças genéticas familiares e testes laboratoriais negativos para AIDS, Sífilis e Hepatite B. Por determinação do Conselho Federal de Medicina (CFM), as doações devem ser anônimas e a escolha das doadoras é responsabilidade da clínica.

Para conferir a programação completa do evento, acesse: https://goo.gl/Kpq30e

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