Muita conhecida e divulgada em países da Europa e
nos EUA, a nutrição funcional começa a ganhar espaço cada vez maior no Brasil.
Isso porque aumenta, a cada dia, o número de pessoas interessadas não apenas em
emagrecer, mas melhorar a vitalidade e a qualidade de vida. Mas no que essa
nova especialidade difere da nutrição tradicional?
De acordo com a nutricionista Danielle Neiva, do Rio de Janeiro, a nutrição é uma só, mas a principal diferença está no estudo da "individualidade bioquímica" dos pacientes, o que permite uma dieta mais personalizada, apenas indicada por nutricionistas, que não se resume somente em prescrever alimentos considerados saudáveis.
“A Nutrição Funcional é uma maneira dinâmica de abordar, prevenir e tratar desordens crônicas complexas através da detecção e correção dos desequilíbrios que geram as doenças. Estes desequilíbrios ocorrem devido à inadequação da qualidade da nossa alimentação, do ar que respiramos, da água que bebemos, dos exercícios (a mais ou a menos) e alterações emocionais que passamos” diz a nutricionista explicando estas “inadequações” são consideradas de acordo com a individualidade genética presente em cada pessoa.
Segundo Danielle, alguns exemplos são próprios para entendermos a dinâmica da nutrição funcional. “Enquanto um indivíduo é alérgico a camarão o outro não é. Enquanto para um o café pode gerar dor de cabeça e insônia, para outro não. Enquanto um necessita de mais zinco (ex: 25mg) para produzir ácido suficiente em seu estômago, o outro precisa de menos (ex.: 10mg). Enquanto um precisa de mais ômega 3 para manter os triglicerídeos e o HDL em níveis adequados, o outro precisa de menos”, esclarece, lembrando que para definir o melhor plano alimentar para um paciente, é necessário conhecê-lo profundamente, inclusive através de exames laboratoriais e uma profunda anamnése, ou seja, os pacientes responderem a uma série de perguntas sobre saúde (por exemplo, se as unhas estão fracas e o intestino funciona bem), comportamento (se há alterações de humor, se a pessoa fica irritada com facilidade) e herança genética (possíveis doenças na família). Os sintomas são, então, relacionados a carências ou excessos de determinados nutrientes.
A nutricionista, que durante muitos anos viveu nos Estados Unidos estudando os alimentos e aplicando seus conhecimentos na arte da gastronomia funcional, afirma que as dietas não devem ser generalizadas e não se baseiam apenas em contar calorias. “No meu ponto de vista, a contagem de calorias nem sempre funciona. Pode ocorrer uma adaptação metabólica do organismo e o indivíduo voltar a engordar", afirma, explicando que já atendeu em sua clínica pacientes com diversas moléstias, como insuficiência cardíaca, que por meio da nutrição funcional obtiveram redução do tamanho do coração e melhora significativa da qualidade e expectativa de vida; obesos mórbidos conseguiram emagrecer e mantêm o peso até hoje; ex-hipertensos que conseguiram controlar a pressão; e pré-diabéticos que reverteram a situação melhorando a sensibilidade à insulina, entre outros casos", exemplifica.
Qualidade de vida
Danielle Neiva conta que geralmente o principal objetivo dos pacientes é perder peso, mas quando os pacientes vão entendendo o processo e vendo os benefícios, investigando sinais e sintomas, vai-se muito além do emagrecimento com a nutrição funcional.
Uma de suas pacientes do Rio de Janeiro (que prefere não se identificar) passou por várias etapas de quimioterapia, após uma cirurgia de retirada dos seios, em decorrência de um câncer de mama. "Optei pela nutrição funcional para ter qualidade de vida. A questão era recuperar um organismo intoxicado e mal nutrido, que tinha como característica principal a baixa de plaquetas e, ao mesmo tempo, prepará-lo para mais uma etapa de quimioterapia", descreve a paciente, que apresentava um quadro de anemia na ocasião. "Seguindo a dieta e tomando alguns suplementos, em alguns dias, após a quimioterapia, eu não tinha mais anemia.", afirma ela. Depois de dezessete meses com uma dieta personalizada - dos quais 12 em quimioterapia, a paciente afirma que se sente muito bem. "Sinto-me disposta, levo uma vida normal e com qualidade - apesar do tratamento pesado e constante. A percepção que tenho é que a nutrição funcional me trata, oferecendo às células do meu organismo os nutrientes necessários para o fortalecimento do meu sistema imunológico", avalia.
Alimento como remédio
“Cada indivíduo tem uma genética, um metabolismo único e, por isso, um determinado alimento pode ser benéfico para um e ter efeito oposto para outros. O emagrecimento é consequência do reequilíbrio que promovemos em nosso organismo. Se há algo errado, um organismo inflamado pode disparar não só obesidade, mas também sérios problemas de saúde como disfunções na tireoide, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, artrites, ovário policístico, diabetes e câncer, entre outros", finaliza Danielle Neiva.