Cirurgia plástica atrai estrangeiros ao Brasil

Um novo tipo de "turismo" tem atraído estrangeiros ao Brasil: o da cirurgia plástica. Movidos por preços mais baixos dos que os praticados no exterior e pela boa reputação dos médicos brasileiros, eles aproveitam as férias e o final do ano para visitarem o Brasil e voltar aos seus países com os seios mais volumosos e os corpos livres da gordura localizada. Em algumas clínicas do Rio de Janeiro, mulheres estrangeiras, em conjunto com brasileiras que vivem no exterior, representam de 15% a 20% da clientela. 

O cirurgião plástico André Ramalho Braga, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, contabilizou no mês passado 30% da demanda operando estrangeiros.

De olho nesse mercado, cirurgiões criam pacotes especiais. Por preços que vão de US$ 10.000 a US$ 20.000, oferecem motorista e enfermeiras bilíngues, apart-hotel e serviços diversos para o conforto e bem estar de quem viaja para se operar no Brasil. “Nossos consultórios recebem muitos estrangeiros. Este ano, por exemplo, o número de europeus, angolanos e até americanos cresceu muito. Os estrangeiros não estão acostumados com paparicos e se sentem muito acolhidos com o tratamento VIP que oferecemos no  Brasil", afirma André, esclarecendo que além de colocar à disposição dos clientes estrangeiros serviços bilíngues, ainda cuida da reserva do hotel e faz contato com agências de turismo caso o paciente queira, antes da cirurgia, usufruir das maravilhas da cidade. 

“Muitas pessoas vêm com o propósito de somente realizarem a cirurgia e voltarem a seus países de origem, outros querem passear, usufruir da oportunidade de conhecer a cidade”, diz o médico.

Em geral, o primeiro contato com o cirurgião é por e-mail. Também é pela internet que os pacientes enviam fotos, fazem as entrevistas iniciais e mandam os exames exigidos no pré-operatório. A maioria chega um ou dois dias antes da cirurgia e parte após a retirada dos pontos ou período de recuperação,  uma semana ou duas semanas.  É o caso de uma empresária angolana que voltou a seu país com prótese nas mamas e sem as gordurinhas localizadas na barriga e no quadril.

 “É a segunda vez que ela vem ao Brasil fazer plástica. No ano passado, fez uma cirurgia de rejuvenescimento na face e outra de redução do abdome”, conta André Braga, que não revela quanto custou o procedimento, mas adianta que foi a metade do que ela pagaria nos EUA

 Em alguns hospitais especializados em cirurgia plástica no Rio, os estrangeiros representam 15% do total de atendimentos , sendo que chegam a realizar 250 cirurgias por mês.De acordo com os médicos, a maioria da clientela estrangeira é mulher (80%), quer aumentar ou erguer os seios e vem da América Latina, EUA (Miami e Nova York) e Europa (especialmente Espanha, Itália, França e Suíça), além das angolanas que se tornaram um forte nicho no segmento.

 O cirurgião André Ramalho Braga afirma ser contra a vinculação da cirurgia plástica a qualquer tipo de pacote promocional ou que inclua outros itens que não a própria intervenção cirúrgica. Entretanto, receber bem o paciente estrangeiro, tentando dar-lhe o máximo de conforto e segurança,  é um tipo de promoção que não contraria o código de ética médica e fortalece o Brasil como um dos mais renomados centros de excelência do mundo na especialidade.