Estudo indica que médicos sentem sofrimento de pacientes

Um estudo feito nos Estados Unidos indica que os médicos têm uma forte ligação com seus pacientes - e podem sentir tanto o sofrimento quanto o alívio durante um tratamento. Segundo os pesquisadores, há muito tempo se acredita que essa ligação paciente-médico é um componente importante para a cura de uma doença.

O estudo, divulgado nesta terça-feira na revista especializada Molecular Psychiatry, fez exames de imagem no cérebro de médicos quando eles acreditavam estar dando tratamento real. Pesquisas anteriores indicam que quando uma pessoa tem o efeito placebo (melhora suas condições após receber um tratamento sem substância ativa), ela ativa regiões do cérebro ligadas ao alívio da dor e à recompensa. O novo estudo indica que os médicos que ativam as mesmas regiões quando tratam pacientes.

"Nossas descobertas mostram que as mesmas regiões do cérebro, que foi demonstrado anteriormente que são ativadas quando pacientes recebem terapias placebo, são similarmente ativadas nos cérebros dos médicos quando eles administram o que eles pensam ser tratamentos efetivos", diz Karin Jensen, pesquisadora do Hospital Geral de Massachusetts (da Universidade de Harvard). Segundo ela, os médicos têm grande capacidade de assumir a perspectiva do paciente e sentir o sofrimento e o alívio decorrentes de um tratamento.

"Ao demonstrar que cuidar de pacientes envolve uma complexa série de eventos no cérebro, incluindo um entendimento profundo das expressões faciais e corporais do paciente, possivelmente em combinação com as expectativas de alívio e os sentimentos de recompensa do próprio médico, nós conseguimos elucidar a neurobiologia escondida no ato de cuidar de alguém", diz Ted Kaptchuk, professor da Escola de Medicina de Harvard.

O efeito placebo, afirmam os cientistas, ajuda os especialistas contra diversos problemas relacionados a um tratamento - como dor, depressão e ansiedade. Além disso, pesquisas anteriores indicam que as expectativas dos médicos influenciam as respostas clínicas dos pacientes.

O experimento consistiu em fazer exames de imagem do cérebro dos médicos enquanto estes faziam consultas com pacientes. Participaram 18 especialistas voluntários, de nove especialidades e pelo menos 10 anos de experiência. Eles utilizaram um equipamento para alívio da dor em pacientes - mas a máquina era falsa.

A segunda parte consistiu de um exame clínico de aproximadamente 20 minutos, seguido de um questionário. O terceiro passo foi levar o médico e o paciente para uma sala com um scanner cerebral. Enquanto estavam no equipamento de exame, os especialistas tinham um controle remoto do equipamento falso de tratamento para a dor e, através de espelhos, mantinham o contato visual com os pacientes.

Na última parte do experimento, os médicos foram instruídos a apertar dois botões - um que aliviaria a dor e outro que não faria nada com o paciente. Quando eram orientados a não ativar o equipamento, o "paciente" tinha uma expressão de dor enquanto o médico observava. Quando apertavam o botão que ativaria o alívio da dor, eles podiam ver a expressão de melhora do paciente.

Os pesquisadores descobriram que os médicos ativam as mesmas regiões que são estimuladas durante o efeito placebo, o que indica que eles têm uma capacidade de tomar o ponto de vista do paciente. "Pela primeira vez, demonstramos que cuidar de pacientes engloba uma neurobiologia única nos médicos. Nosso objetivo final é transformar a 'arte da ciência' na 'ciência do cuidar', e esta pesquisa é um importante primeiro passo no processo que continuaremos a investigar para descobrir como as interações paciente-médico podem levar a uma mensurabilidade dos efeitos clínicos em pacientes", diz o pesquisador.