Espécie de abelha recebe nome em homenagem a Ronaldinho Gaúcho

Que a passagem de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlético-MG geraria muita repercussão no mundo do futebol isso ninguém duvidava. Agora, a influência no mundo da ciência seria mais difícil de se imaginar - mas aconteceu. O professor adjunto da Universidade Federal de Uberlândia, André Nemésio, e o aluno de mestrado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Rafael Ferrari, apaixonados pela camisa preta e branca, resolveram homenagear o astro com a descoberta de uma nova espécie de abelha.

Os biólogos estavam estudando a nova abelha justamente na época que houve a briga entre Flamengo e Ronaldinho. Animados com a possibilidade de ter o craque no Galo eles não pensaram duas vezes e fizeram a homenagem. "Estava com o artigo pronto para uma revista científica. Eu apostei com colegas da UFMG que ele seria contratado. O Kalil (presidente do Atlético-MG) queria muito uma contratação de peso. Mas demos o nome antes de ser contratado. Ou seja, se ele não viesse seria ruim demais", disse.

Depois, o nome foi outro problema. Na ocasião eles discutiram qual seria mais adequado. "Teríamos que latinizar. Mas o latim de Ronaldinho é bem feio", conta. "Então, começamos a pensar que não seria somente o Ronaldinho e sim o Ronaldinho do Galo. Então decidimos pegar o número da camisa. Como a 10 estava ocupada pelo Guilherme ele ficou com a 49. Então colocamos Eulaema Quadragintanovem que é quarenta e nove em latim", ponderou.

Para Nemésio, utilizar uma paixão nacional pode fazer com que as pessoas despertem o interesse para o assunto. "Acredito que isso pode atrair atenção do público sim. Em 2009, em uma outra homenagem ao Atlético até torcedores do Cruzeiro me elogiaram. Acredito que isso pode ser bom até para as pessoas conhecerem as espécies e algumas situações delicadas sobre esse universo", avaliou.

Para confirmar o nome, é necessário ter a publicação da espécie em alguma revista do segmento, o que aconteceu na edição de hoje da Zootaxa.

Eulaema Quadragintanovem é encontrada em duas áreas do Ceará, geralmente em locais remanescentes de Mata Atlântica, topos de montanha, onde o clima é frio e úmido. Um dos locais é o Parque Nacional de Ubajara e o outro Serra do Baturité. São abelhas típicas de ambientes florestais. Uma curiosidade é que elas usam as fragrâncias de orquídeas para atrair as fêmeas.

Histórico 

O professor André Nemésio já demonstrou em outra ocasião seu amor pela camisa do Atlético-MG. Em 2009, o biólogo descobriu outra espécie de abelha e batizou com o nome Eulaema Atleticana. Na ocasião a homenagem era para o centenário do clube, que aconteceu no ano anterior.

A espécie encontrada exclusivamente na Mata Atlântica Brasileira tem seu corpo negro com listras amarelas do abdome. Pelas regras, o nome passa a valer somente quando for publicada em uma revista especializada.