Ganhadores de prêmios Nobel e outros cientistas se uniram a personalidades políticas nesta segunda-feira, na Rio+20, para apresentar uma declaração em que cobram ações imediatas dos governos para evitar "o fim catastrófico do planeta". "O tempo para agir é agora, as nações precisam urgentemente de um plano de sustentabilidade", diz o documento assinado por 40 personalidades da ciência e ex-chefes de Estado e de governo.
De acordo com o diretor do Centro da Resiliência de Estocolmo, Johan Rockström, o trabalho apresentado hoje é resultado de processo integrado entre ciência, política e economia que começou a ser formulado há cinco anos. "A preocupação da comunidade científica aumentou muito nos últimos anos porque constatamos que a humanidade é a maior força motriz das mudanças na natureza. Isso não era assim quando tivemos a conferência de 1992 (Eco92). Por isso que cobramos dos líderes que não hesitem em apresentar uma proposta de mudança aos padrões atuais. As evidências científicas são muito claras e é preciso agir", disse.
Para a ex-presidente da Finlândia Tarja Halonen, o objetivo da iniciativa é colaborar com os governos, na construção de novas alternativas de desenvolvimento. "A base do nosso relatório é a cooperação científica. Assim, queremos apoiar e incentivar os negociadores a apresentarem propostas que possam fortalecer esse trabalho", disse ao destacar que a pesquisa e a tecnologia devem servir aos governos na busca de novas formas de garantir o crescimento econômico, sem prejudicar o ambiente.
Debate estúpido
Em seu pronunciamento, a ex-primeira ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland disse que a comunidade científica "séria" é unanime em apontar o aquecimento global como um fator catastrófico para o futuro do planeta. "Eu conheço cientistas sérios e não sérios, como conheço políticos sérios e não tão sérios. Não podemos dar ouvido a qualquer cientista que nega essa evidência. É um debate muito estúpido, de pessoas que não têm ideia de todo o conhecimento científico que envolve esses temas", afirmou Brundtland, que é considerada a criadora da expressão desenvolvimento sustentável.
Já o Nobel de Química Yuan-Tseh Lee manifestou sua indignação com aqueles que ainda hesitam em propor mudanças no modelo econômico atual. "Dizer que nós estamos preocupados é pouco, porque a situação é muito grave. Se não compreendermos que não se deve mais usar os combustíveis fósseis, pode ser que daqui alguns anos tenhamos que voltar a viver apenas com a luz do sol. Precisamos impor limites, fronteiras que não devemos ultrapassar, caso contrário daqui a 1,5 mil anos a humanidade pode desaparecer".