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Especialistas alertam para perigos da hipertensão

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Nesta quarta-feira, 26 de abril, comemora-se o Dia Nacional da Hipertensão. O Ministério da Saúde estima que pouco mais de 20% da população brasileira tenham a doença. O diagnóstico se torna mais comum com a idade, podendo alcançar a preocupante marca de 50% na faixa etária de 55 anos ou mais, segundo pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada na última semana pelo Ministério. 

Uma das principais consequências é a redução da expectativa de vida em até 16 anos dos indivíduos hipertensos que não realizam o controle e tratamento adequados, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Para reverter esse quadro, a Sociedade Brasileira de Cardiologia escolheu o tema Menos Sal, Menos Pressão e Mais Saúde para alertar a população para a importância de prevenção e combater à hipertensão.

Embora o Ministério esteja em negociação com a indústria alimentícia para diminuir o teor de sal dos alimentos industrializados, obedecendo aos padrões da OMS - a ingestão diária de cloreto de sódio não deve ultrapassar 5 gramas ou 2 gramas de sódio -, Ana Cristina Belsito, membro da Sociedade Brasileira de Diabetes e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, lembra que o consumo abusivo de sal é uma questão de educação. 

“Os alimentos industrializados possuem sal em excesso, muitas vezes necessário a sua própria conservação. No entanto, devemos assumir nosso papel e substituir gordura, refrigerantes e industrializados, todos ricos em sal, por opções mais saudáveis, como sucos, verduras, frutas, hortaliças”, diz especialista, que também trabalha no Hospital São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro. 

Rogério de Moura, especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, explica que a hipertensão é a principal causa de acidente vascular cerebral (AVC) e está diretamente relacionada ao infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e à insuficiência cardíaca. Sedentarismo, obesidade, diabetes, uso abusivo de sal e herança genética são os fatores que mais contribuem para o seu desenvolvimento.

O coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital TotalCor, Eduardo Nagib, por sua vez, afirma que a hipertensão pode provocar insuficiência renal e problemas de visão. “O grande problema é que é uma doença silenciosa, que, na maior parte dos casos, só apresenta os sintomas [que incluem dores de cabeça, no peito e tonturas] nas fases agudas. Estima-se que mais da metade dos hipertensos não saibam que têm a doença. O ideal é fazer um check-up anualmente”, alerta.

Combatendo a hipertensão na infância

Foi-se o tempo em que criança brincava na rua, corria, subia em árvores... As crianças de hoje tornaram-se sedentárias, passando horas na frente do computador e do videogame. As comidas artificiais, altamente calóricas, salgadas e açucaradas fazem parte desse novo estilo de vida. Dados do último Censo do IBGE revelaram que um em cada três brasileirinhos pesa mais do que o recomendado pela OMS para a sua faixa etária.

A melhor forma de driblar o problema é a reeducação alimentar. “Crianças se espelham nos pais. Por isso, a redução do sal e o consumo de alimentos saudáveis associados à prática esportiva devem atingir toda a família”, pondera o cardiopediatra da Clínica Samci (RJ), Flávio Reis Neves. O médico explica que “o consumo diário de sal não deve ultrapassar 1,5g até os 12 anos de idade. Alimentos pobres em gorduras, como frutas, verduras e legumes, auxiliam no controle da hipertensão,” completa o especialista. Uma dica importante: laticínios são indispensáveis para o crescimento saudável das crianças e a partir dos 2 anos os pequenos já podem consumir as versões com baixos teores de sal e gordura.

Prevenção e tratamento

Mauro Scharf, endocrinologista do laboratório Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, dá dicas sobre como diminuir a quantidade de consumo do sal. São elas: retirar o saleiro da mesa, controlar o uso do sal no cozimento, preferir sempre alimentos frescos, substituir o sal por temperos e ervas frescas ou secas (como alho, cebola, salsa e pimenta vermelha fresca, por exemplo), evitar os temperos prontos, temperar a salada de outras formas (com azeite de oliva, limão, vinagre, vinagre balsâmico e ervas, por exemplo). Também fazem parte das dicas evitar sopas prontas e embutidos, conservas salgadas, salgadinhos, frios salgados e queijos gordos. “Não esqueça também de sempre ler os rótulos dos alimentos e escolher as versões com pouco sódio”, enfatiza Scharf.