Brasil tem mais de 17 mil pacientes com hemofilia

Diversos debates e ações educativas foram realizadas em todo o país nesta terça-feira (21), em comemoração ao Dia Internacional da Hemofilia, distúrbio genético hereditário que ainda não tem cura. Nos hemofílicos, o sangramento decorrente de cortes ou pequenos machucados, que não causariam transtornos na população em geral, demora mais tempo para ser estancado. Em episódios mais graves, as hemorragias - na maior parte das vezes internas - ocorrem de forma espontânea e afetam músculos, órgãos e articulações. Estima-se que a enfermidade atinja uma em cada 10 mil pessoas em todo o mundo. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 17.375 pacientes com a doença foram assistidos pela rede pública no ano passado.

A hemofilia tem três variações. No tipo A - que corresponde a cerca de 90% dos casos, é verificada uma deficiência na produção da proteína conhecida como fator XVIII, essencial para o processo de coagulação. No tipo B, o problema ocorre no fator IX e no tipo C no fator XI. A gravidade é proporcional à quantidade das substâncias no organismo.

Os sangramentos anormais provocam manchas roxas; danos nas cartilagens e nos ossos – em especial as do joelho, cotovelo e tornozelo; alterações na temperatura corporal, dores fortes e algumas deformidades físicas. Quando acontecem na região da cabeça podem gerar consequências ainda mais graves como perda de consciência, convulsões e morte. 

Embora a cura ainda ainda não seja possível, o tratamento - que consiste na reposição do fator deficiente através de injeções na veia - mostra-se eficaz no controle dos sintomas. As medicações são disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde em um dos 35 Centros de Tratamento de Hemofilia do país, onde os pacientes também são orientados e acompanhados por especialistas. 

O diagnóstico é feito através de exames clínicos e laboratoriais. Recomenda-se aos pais que fiquem atentos a hematomas nos filhos porque podem ser um indicativo da enfermidade. Crianças com até 3 anos e que já tenham apresentado alguma hemorragia nas articulações têm garantido o direito a aplicações preventivas do fator de coagulação, o que ajuda a evitar lesões e aumenta a qualidade de vida dos pacientes.