Nutróloga dá dicas de alimentação saudável para os pequenos

A infância é uma fase boa que passa rápido, e muitos adultos e jovens têm memórias desta época carregadas de romantismo, saudosismo e nostalgia. Mas, definitivamente, os tempos mudaram e grande parte das crianças hoje em dia não sobe em árvore, não anda a cavalo, não caminha, não bate uma pelada no fim da tarde, não passa a tarde inteira jogando queimado com os amigos da rua. A tecnologia tomou conta de muitas infâncias, seduzindo as crianças a passarem seu tempo livre em frente ao computador ou videogame. E estes novos hábitos não afetam apenas a capacidade de socialização dos pequenos. Crianças sedentárias tendem a ganhar mais peso, fato comprovado pelos índices de obesidade infantil no Brasil, que crescem vertiginosamente. 

Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de meninos e meninas entre 5 e 9 anos que estão muito acima do peso quadruplicou nos últimos 20 anos. Neste cenário, fica evidente a importância de oferecer uma dieta saudável para os filhos, além de fazer uma forcinha para que eles façam algum exercício físico. 

Mas como convencê-los a comer legumes e verduras diante da desleal concorrência de uma imensa variedade de calóricas e gordurosas guloseimas?  Segundo a nutróloga Célia Chaves, chefe do Departamento de Nutrição do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz, o primeiro passo é dar o exemplo. Dificilmente uma criança entenderá que precisa consumir frutas, legumes e verduras se os pais comem apenas frituras nas refeições.

"As preferências são oriundas de hábitos familiares e culturais, custos e disponibilidade dos alimentos. A família é o modelo para o desenvolvimento dos hábitos alimentares, de modo que é importante que a criança observe a família se alimentando com variedade, moderação e equilíbrio", observa.

Um prato considerado saudável deve conter proteínas (carne, ovos e derivados de leite), responsáveis por constituir nossos músculos e vísceras, carboidratos (pães, massas, batata, cereais, bolo e arroz), que fornecem energia para o organismo, e vitaminas e sais minerais (frutas, legumes e verduras), necessários para a prevenção de doenças e para o crescimento. Salgadinhos, biscoitos, doces e refrigerantes devem ser guardados apenas para ocasiões especiais.

E como a gente “come com os olhos” desde cedo, o aspecto visual não pode ser deixado de lado. Quantidades enormes de comida e o "preto e branco" do saudável arroz com feijão não são nada atrativos para as crianças. Para criar um prato divertido, que atraia olhares e garfadas, o segredo é abusar das cores.

"As refeições coloridas apresentam um visual bonito que estimula o apetite e garante o consumo de todos os nutrientes necessários para uma dieta saudável. As cores das verduras e legumes devem ser variadas ao longo da semana. Já a hortaliça deve ser ingerida todos os dias", explica a especialista.

Para tornar a refeição mais atraente e saudável:

> Sucos coloridos e mistos, como de couve com limão, cenoura com laranja e beterraba com abacaxi

Bolinhos de espinafre, chuchu, abóbora, mandioquinha, com talos das verduras

Massas como macarrão com brócolis e lasanha com abobrinha

Bolos: de cenoura, abóbora ou mandioca

Farofas com couve, cenoura e talos das verduras

> Suflês com muitas verduras e legumes

Omeletes com couve-flor, vagem, cenoura, repolho, almeirão, abobrinha, talos e folhas de hortaliças

Purês de cenoura, abóbora, mandioquinha e batata

> Arroz com brócolis, cenoura e lentilha