Filhos de mães obesas têm mais tendência a ter autismo, sugere estudo

Uma recente pesquisa, feita pela University of California Davis, nos Estados Unidos, sugere que crianças filhas de mães obesas ou muito acima do peso têm mais risco de ter autismo ou desenvolver algum retardo mental. O estudo com cerca de mil crianças concluiu que descendentes de obesas tinham 67% mais chances de ter autismo e 50% mais chances de desenvolver outro retardo mental do que uma criança nascida de uma mãe com o peso normal.

Para a pesquisa, foram entrevistadas 500 crianças com idades entre dois e cinco anos com diversos níveis de autismo, 170 crianças com algum outro tipo de retardo mental e 315 crianças normalmente desenvolvidas. Todas elas fazem parte do grupo Riscos de Austismo na Infância, conduzido entre 2003 e 2010. Vinte e quatro por cento das mães de filhos com retardos mentais, 21,5% das mães de filhos autistas e 14% das mães com filhos normalmente desenvolvidos eram obesas. As mães cujo peso beirava a obesidade apresentaram riscos similares.

As crianças foram avaliadas por especialistas do MIND Institute (Instituto Mente) da Universidade para confirmar os diagnósticos de autismo e suas mães foram entrevistas sobre diversos aspectos de sua saúde antes e durante a gravidez. A diabetes também foi associada ao aumento das chances de desenvolvimento de retardos mentais, mas não houve nenhuma estatística significativa que associasse a diabetes ao autismo.

Segundo estatísticas da ONU, no mundo deve haver mais de 70 milhões de pessoas com autismo. No Brasil, a estimativa é que haja cerca de dois milhões de autistas. A incidência é maior em meninos, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com o distúrbio. Segundo o site Austismo Brasil, o autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. Há vários níveis dentro do espectro autista.

A autora da pesquisa, Paula Krakowiak, bioestatística da University of California Davis, comenta a importância do resultado para a saúde pública norte-america.

 “Considerando que cerca de um terço das mulheres aptas a engravidar nos Estados Unidos são obesas e quase 9% têm diabetes, a descoberta pode ter graves implicações na saúde pública norte-americana”, disse Krakiwaik.

Para o médico Andrew Adesman, chefe do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento Pediátrico no Centro de Saúde Steven e Alexandra Cohen, de Nova York, as descobertas não podem ser ignoradas. Entretanto, ele frisou que outros fatores genéticos também podem contribuir para o autismo, já que muitas mães de crianças autistas estão dentro do peso e muitas mães obesas não têm filhos autistas.

 “Apesar de os resultados do estudo sugerirem a obesidade como fator de risco para problemas no desenvolvimento da criança, não podemos assumir que estes problemas são causados pela obesidade. Muitos outros fatores podem ser responsáveis por esta condição”, observou Adesman.

De fato, outra pesquisa publicada na última semana pelo site Nature.com identificou diversas mutações genéticas como a causa de uma parte dos casos de autismo. A idade dos pais, especialmente quando o pai tem mais de 35 anos, também foi associada com a causa da condição.

 “As razões da ligação entre obesidade e autismo/retardos mentais são desconhecidas, apesar de algumas pesquisas sugerirem que a obesidade desencadeia proteínas inflamatórias, algumas delas sendo capazes de atravessar a placenta e atingir o feto. É possível que estas proteínas, conhecidas como cytokines, possam afetar o desenvolvimento do cérebro”, defendeu Krakowiak.

Apesar de defender sua tese, ela admite que a ligação com a obesidade possa ser indireta. 

“A causa pode não ser a obesidade em si, mas outro fator que causa a obesidade, como genética ou estilo de vida, excesso de dietas, etc", finalizou a pesquisadora.

Com informações do site OptumHealth