Alteração hormonal provocada por estresse facilita infecções

Estudo publicado esta terça-feira na revista Proceedings of The National Academy of Sciences sugere que o estresse pode estar diretamente ligado ao aumento da intensidade dos sintomas da gripe e outras doenças. De acordo com os pesquisadores, isto se deve ao fato de o organismo de indivíduos que sofrem de estresse crônico superproduzir um hormônio chamado cortisol. A substância, que tem como uma de suas funções aumentar a glicose sanguínea para que o corpo lide com situações de perigo, também exerce um papel de regulação do sistema imunológico. 

A irritação na garganta, a febre e o nariz entupido característicos das gripes e resfriados não são causados pelos vírus, mas, sim, efeitos colaterais provocados pela atuação do nosso sistemas de defesa à ameaça. Tal qual uma bactéria que desenvolve resistência a alguns medicamentos, as células imunitárias expostas constantemente ao cortisol tornam-se menos sensíveis a sua ação, o que permite que as inflamações se propaguem com maior facilidade.

"Existem muitas evidências de que estas pessoas, quando entram em contato com o vírus, estão mais propensas a desenvolver a enfermidade do que aquelas que não convivem com o transtorno. Sabíamos do impacto do estresse na saúde, mas até então não tínhamos indicativos de que forma ocorria", diz Sheldon Cohen, professor da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. 

"Isto sugere que o estresse pode interferir, por exemplo, no surgimento e na propagação de problemas cardíacos, asma e doenças autoimunes", acrescenta.

O trabalho foi dividido em duas partes. Na primeira, 276 homens e mulheres saudáveis - e que diziam viver sob grande tensão - foram expostos ao vírus e monitorados para que os sinais da doença pudessem ser observados. A segunda consistiu na realização de exames em outras 79 pessoas para avaliar a produção de uma espécie de mensageiro químico que promove as inflamações. Aqueles com menor sensibilidade imunológica apresentaram níveis mais altos da substância no sangue. 

"Na medida em que compreendermos melhor o assunto, poderemos projetar intervenções mais eficazes. Vamos entrar na era de medicina personalizada, em que seremos capazes de combater doenças antes mesmo de se manifestarem", entusiasma-se Redford William, diretor do Centro de Pesquisa de Medicina do Comportamento da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, também nos Estados Unidos.