Fumo aumenta o risco de esquizofrenia

Além de provocar câncer, doenças cardiovasculares e uma série de outros problemas, o tabagismo pode aumentar o risco de desenvolvimento de esquizofrenia nas pessoas que possuem uma variante genética relacionada ao transtorno. É o que sugere estudo realizado no Hospital Universitário de Psiquiatria, em Zurique, e publicado esta semana pela revista Proceedings of the National Academy of Science.

Exames de eletroencefalograma realizados em pouco mais de 1800 pessoas indicaram que o cérebro de indivíduos com uma mutação no gene TCF4 (proteína importante no desenvolvimento inicial do órgão) respondia a estímulos sonoros simples de maneira semelhante a dos que possuem aos que possuem o transtorno mental.  

Quando uma pessoa saudável é exposta a um estímulo qualquer, suprime a percepção dos aspectos irrelevantes para a tarefa. Já os esquizofrênicos não têm capacidade de realizar a filtragem da mesma forma e sofrem uma espécie de "inundação de informações".

Os pesquisadores constataram que, entre os voluntários que tinham a alteração no TCF4, aqueles que fumavam apresentaram um déficit maior no processamento de informações. O efeito foi expressivo tanto nos que tinham o hábito de consumir muitos cigarros durante  o dia quanto naqueles chamados de fumantes leves.

Segundo o líder do estudo, Boris Quednow, os resultados apontam para a necessidade de considerar o hábito de fumar como um significativo fator de risco para a doença em trabalhos futuros. "Como fumar altera o impacto do gene TCF4 na filtragem de estímulos acústicos, o hábito também pode aumentar o papel de genes específicos no risco de desenvolvimento da esquizofrenia", disse.